
Numa entrevista que hoje pode ser lida no PÚBLICO, Willem Dafoe fala do escritor e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, que o actor interpreta no filme de Abel Ferrara que será exibido este fim-de-semana no Lisbon & Estoril Film Festival, e das suas imprecações contra a cultura consumista:
“Pasolini era certamente um produto do seu tempo mas, sem querer abusar da palavra, é-me bastante nítido que havia nele algo de profético. Ainda hoje leio essa entrevista [a “última entrevista que Pasolini deu em vida, onde se insurgia contra uma sociedade cada vez mais ‘do espectáculo’ e da tecnologia, e fazia um apelo em favor da arte e da emoção”] e dá-me energia para continuar a tentar encontrar um modo de lutar contra o impulso daquilo a que chamo a desumanização, a incapacidade de as pessoas lidarem umas com as outras e de se fecharem nos seus mundos.
Talvez seja uma obsessão pessoal minha, mas sou suficientemente velho para me recordar dos tempos em que o telemóvel era uma novidade. Por isso, hoje, descer a rua e ver toda a gente concentrada nas suas mensagens de texto, sem falar umas com as outras, é muito estranho e corresponde a um desenvolvimento muito radical. Mudámos mais nos últimos 20 anos, no modo como nos comportamos e como nos relacionamos uns com os outros, do que ao longo dos últimos séculos…”
(A entrevista pode ser lida na íntegra aqui: “Willem Dafoe: ‘Não estou a interpretar o Pasolini mas um Pasolini’”)