Aquilino Ribeiro chora Jean Jaurès

P23 Jaurès mort
“Pouco se fala em Jaurès, ídolo da multidão. Em tempo ordinário o seu assassínio teria provocado o massacre dos extremistas da Action Française; a revolta, talvez, do Paris popular”. É com esta constatação que Aquilino Ribeiro inicia, há exactamente cem anos, um comentário à dramática ocorrência do dia anterior. O escritor encontra-se em Paris e no dia 1 de Agosto de 1914 começa um diário que acompanha o início da I Guerra Mundial. Nessa obra, intitulada É a Guerra, que a Bertrand editou em Maio, Aquilino Ribeiro testemunha a sua enorme admiração pelo político francês, que considera “a personalidade mais alta” da Terceira República francesa: “Era o tribuno por excelência. Ouvia-se com o mesmo prazer com que se ouve um trecho de Beethoven executado pela orquestra Lamoureux ou uma tirada da Antigone declamada pela Bartet”. O escritor, que pôde “gozar tal prazer”, exprime um lamento: “A estas horas o grande orador jaz de queixos atados entre as quatro tábuas do ataúde e ninguém eleva a voz”. O retrato do diário L’Humanité, que Jaurès fundou e dirigia, não é muito simpático: “A Humanité tem um pobre ar de viúva estúpida, embebedada com pêsames e lágrimas”. Aquilino Ribeiro encontra-se entre os que a morte de Jean Jaurès comoveu: “Em meu peito choro-o como se fôssemos do mesmo lar”.

(Fonte da imagem: gallica.bnf.fr / Bibliothèque nationale de France)

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