O uso indiscriminado de computadores nas aulas pode prejudicar a aprendizagem, diz o Observatório dos Recursos Educativos

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“O uso não estruturado e, portanto, indiscriminado de computadores na sala de aula, tendencialmente mais frequente no ensino superior do que nos níveis básico e secundário – onde tradicionalmente as preocupações didácticas são substancialmente maiores –, pode prejudicar uma maximização do rendimento cognitivo”, diz o relatório “Por uma utilização criteriosa dos recursos digitais em contextos educativos. Um balanço de investigações recentes”, elaborado pelo Observatório dos Recursos Educativos.
No documento, refere-se que há autores a chamar a atenção para o facto de os nossos recursos mentais serem finitos, pelo que, quando eles se dispersam por muitas tarefas, os níveis de cognição diminuem. Por isso, “a utilização de computadores portáteis ou outros recursos homólogos deve ser sempre didacticamente cuidada”. De facto, diz ainda o documento, a leitura em ecrãs pode proporcionar níveis inferiores de compreensão quando comparada com a leitura no papel impresso, razão por que, em variadas ocasiões, não é adequado usar computadores portáteis ou outros recursos homólogos nas aulas.
O relatório apresenta quatro conselhos a professores e encarregados de educação.
Em primeiro lugar, recomenda-se um diálogo entre os professores e os seus alunos sobre os prejuízos resultantes da utilização inapropriada dos computadores na sala de aula e que seja estabelecido um conjunto de regras para que esse uso seja correcto.
Os professores devem, em segundo lugar, desencorajar explicitamente o uso de computadores pessoais em aulas em que a tecnologia não é necessária.
Os professores são ainda instados, segundo o terceiro conselho, a promover uma escolha criteriosa dos recursos digitais, de modo a que se usem apenas os que sejam efectivamente pertinentes para a aprendizagem dos conteúdos programáticos.
A quarta recomendação vai no sentido de, no contexto familiar, se diversificar o tipo de suportes de leitura de forma a promover a concentração e o desenvolvimento da memória das crianças. “Deve atender-se também à dimensão dos textos a ler, os quais, para poderem ser lidos num monitor, devem ser de curta dimensão para se evitar o scroll dos mesmos para cima e para baixo – que, como se viu, interfere com a compreensão leitora. Textos longos não deverão ser lidos em computador”, propõe o relatório.

(Imagem retirada daqui)

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