Os neologismos são o tema de “Lexi.com”, a mais recente crónica de José Diogo Quintela, que se encontra na Revista 2 do PÚBLICO de domingo passado. Algumas das palavras que o humorista inventou podem servir para usar nas aulas de Português quando se estudarem “as palavras novas da língua, isto é, as palavras que entraram há pouco tempo ou que ainda estão num processo de integração no léxico da língua”, para usar a definição de neologismos que Tiago Freitas, Maria Celeste Ramilo e Eva Arim apresentam em “Os neologismos nos meios de comunicação social portugueses”*. Nesta acepção, dizem, cabem não só palavras formadas dentro da língua, como é o caso de cosmódromo, economês e megaprocesso, mas também palavras provenientes de línguas estrangeiras, como download e helpdesk.
Os neologismos são palavras que podem subsistir na língua, mas o conceito também contempla os vocábulos cujo uso não chega a generalizar-se e os que permanecem na língua por pouco tempo.
Relativamente ao modo como são produzidos os neologismos, os linguistas verificaram que, por ordem decrescente de produtividade, eles ocorrem por:
• importação lexical (importação de palavras de línguas estrangeiras. Exemplos: break-even point, mangas, wireless);
• composição (a composição é um processo de formação de palavras que recorre à associação de duas ou mais formas de base. Exemplos: ciberdimensão, cidade-refúgio, teleformação);
• derivação (a derivação é um processo de formação de palavras que consiste na associação de um afixo derivacional – geralmente um sufixo – a uma forma derivante. Exemplos: aplicacional, cravístico, desterritorialização);
• modificação (a modificação é um processo de formação de palavras que recorre a um prefixo ou sufixo modificador. Estes afixos caracterizam-se pelo facto de não alterarem nenhuma das propriedades gramaticais das formas de base a que se juntam, modificando apenas a sua componente semântica. Exemplos: anti-patinagem, ex-amante, supercolisionador).
• outras situações (Exemplos: bem-pensante, director-executivo, SAD).
Estes resultados que indicam que a importação de palavras de línguas estrangeiras é o processo com maior produtividade vêm, segundo Tiago Freitas, Maria Celeste Ramilo e Eva Arim, pôr em causa a ideia da derivação como o processo por excelência de criação de novas palavras.
O maior número de formas neológicas presentes no corpus provém dos textos em que o tema é a ciência, o que engloba os termos das áreas científica e tecnológica, registam os linguistas, que consideram que se trata de um resultado esperado, tendo em conta que esse é um campo onde existe uma grande necessidade de novas denominações. Em relação aos restantes temas, verifica-se que a actualidade e a cultura têm também um elevado índice de ocorrências, sobretudo no registo escrito.
*In Maria Helena Mira Mateus e Fernanda Bacelar do Nascimento (org.) – A Língua Portuguesa em Mudança. Lisboa: Caminho, 2005
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