Um “coming out” contra os anglicismos

P23 anglicismos.

O combate aos anglicismos – o tempo dos galicismos já passou – não tem, em Portugal, uma significativa expressão mediática, ao contrário do que sucede em França, onde, regularmente, surgem imprecações contra a colonização linguística inglesa. Num texto publicado pelo Le Nouvel Observateur, Yves Paccalet, filósofo ecologista, manifesta, no título, o seu “coming out contra os assassinos da língua francesa”.
Abusar de palavras inglesas não é fun, diz Yves Paccalet no texto em que se apresenta uma quantidade muito significativa de anglicismos de que padece a língua francesa. De muitos deles, padece também, desnecessariamente, o português: best-seller, box office, brainstorming, business plan, buzz, chats, coaching, deadline, fair play, fakes, fashion week, flyers, gap, geek, hard discount, hooligans, hotlines, job, jogging, low cost, one man show, packaging, partnership, plugins, prime time, remake, sitcom, sponsoring, story telling, teaser, teasing, timing, training, trend, etc. O autor do texto oferece bons exemplos de como uma tradução simples pode facilmente evitar tantas importações.
Yves Paccalet denuncia, por fim, os principais “linguicidas” ou “fonocidas”, que considera “pouco numerosos, mas socialmente e financeiramente poderosos”, agrupando-os em cinco famílias: “os economistas e os managers”; “os profissionais da publicidade e do marketing”; “os jornalistas desportivos”; “os jornalistas-apresentadores-animadores de news, talk shows e outros entertainments nos media”; e “last but not least, os prescritores e os grandes utilizadores de Internet”.

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