Filósofo francês apela a uma greve ao inglês

Uso do inglês no logótipo de uma rede francesa de ginásios. Dois encontram-se em Toulouse

Uso do inglês no logótipo de uma rede francesa de ginásios. Dois encontram-se em Toulouse

Um vigoroso combate ao peso excessivo do inglês no quotidiano francês é o que reclama o filósofo Michel Serres, um dos mais conhecidos e influentes intelectuais franceses. “Lanço um apelo a que se faça uma greve ao inglês”, disse ele numa entrevista concedida ao diário francês La Dépêche du Midi, de Toulouse.
A greve que os franceses são instados a fazer é simples: de cada vez que uma publicidade se apresente em inglês, não se compra o produto; de cada vez que um filme não tiver o título traduzido, não se vai à sala de cinema. “Não entraremos no shopping, entraremos na boutique”. O resultado, garante o filósofo, cedo surgirá. Quando os publicitários e os comerciantes que abusam do inglês tiverem uma descida de 10 % no volume de negócios, voltarão a usar o francês.
Recorda Michel Serres que a classe dominante nunca falou a mesma língua que o povo. “Ela falava latim e nós o francês. Agora, a classe dominante fala inglês e o francês tornou-se a língua dos pobres. E eu defendo a língua dos pobres. Eis por que peço que se faça uma greve”.
O filósofo diz concordar que haja uma língua de comunicação, lembrando que sempre houve uma. “Mas quando a língua francesa fica em perigo é dramático”. A indignação de Michel Serres contra o domínio linguístico é sublinhada através de uma comparação e de uma interrogação provocatórias: “Há mais palavras inglesas nos muros de Toulouse do que havia palavras alemãs durante a ocupação. Portanto, quem são os colaboracionistas?”

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