A questão coloca-se periodicamente, desde há muito e em diversos países, e suscita respostas variadas. “Em geral, favorecem”, respondem Dália Dias, Júlia Cordas e Margarida Mouta, autoras de Em Português? Claro! (Porto: Porto Editora, 2007). É que, justificam, “graças a eles, assiste-se ao aumento do número de pessoas com acesso à informação e à cultura”. Para muita gente, a leitura de jornais e revistas constitui, aliás, o único contacto com a língua escrita. Além disso, lembram, “muitas vezes, ao longo da sua história, a imprensa tem sido um espaço de criação onde alguns dos maiores vultos das letras portuguesas (escritores, críticos, ensaístas…) têm cultivado a língua. As páginas que aí deixaram oferecem-se ao leitor como exemplos do que de melhor se tem escrito em língua portuguesa”.
Ou seja, “permitindo um maior contacto com os registos próprios do português-padrão, os media favorecem os bons usos da língua sempre que neles se respeitam as regras de pronúncia, se fala de modo perceptível e articulado e se recorre a um vocabulário preciso e a uma sintaxe rica, variada e correcta”.
Dália Dias, Júlia Cordas e Margarida Mouta entendem que “os media podem, contudo, ser prejudiciais aos bons usos da língua sempre que se tornam veículos de propagação do erro e da mediocridade. Isso verifica-se sempre que neles se transgridem as mais elementares regras gramaticais ou sempre que neles se faz um uso abusivo de palavras estrangeiras ou de expressões de moda, quantas vezes completamente estranhas aos usos e normas em vigor”.
