Os media favorecem ou prejudicam os bons usos da língua?

José Malhoa – Lendo o jornal. 1905

José Malhoa – Lendo o jornal. 1905

A questão coloca-se periodicamente, desde há muito e em diversos países, e suscita respostas variadas. “Em geral, favorecem”, respondem Dália Dias, Júlia Cordas e Margarida Mouta, autoras de Em Português? Claro! (Porto: Porto Editora, 2007). É que, justificam, “graças a eles, assiste-se ao aumento do número de pessoas com acesso à informação e à cultura”. Para muita gente, a leitura de jornais e revistas constitui, aliás, o único con­tacto com a língua escrita. Além disso, lembram, “muitas vezes, ao longo da sua história, a imprensa tem sido um espaço de criação onde alguns dos maiores vultos das letras portuguesas (escritores, críticos, ensaístas…) têm cultivado a língua. As páginas que aí deixaram oferecem-se ao leitor como exemplos do que de melhor se tem escrito em língua portuguesa”.
Ou seja, “permitindo um maior contacto com os registos próprios do português-padrão, os media favorecem os bons usos da língua sempre que neles se respeitam as regras de pronúncia, se fala de modo perceptível e articulado e se recorre a um vocabulário preciso e a uma sintaxe rica, variada e correcta”.
Dália Dias, Júlia Cordas e Margarida Mouta entendem que “os media podem, contudo, ser prejudiciais aos bons usos da língua sempre que se tornam veículos de propagação do erro e da mediocri­dade. Isso verifica-se sempre que neles se transgridem as mais elementares regras gramaticais ou sempre que neles se faz um uso abu­sivo de palavras estrangeiras ou de expressões de moda, quantas vezes completamente estranhas aos usos e normas em vigor”.

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