Leituras: Nova História da Imprensa Portuguesa

P23 História Imprensa

A Nova História da Imprensa Portuguesa. Das origens a 1865, de José Tengarrinha, professor catedrático jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, editada em Setembro pela Temas e Debates e Círculo de Leitores, é uma obra de leitura indispensável para quem quiser conhecer a evolução de “um poderoso veículo de transmissão de informações, de difusão de ideias, um amplo repositório dos conhecimentos e das sensibilidades” ou, ainda citando o autor, “um dos mais expressivos avaliadores das atitudes mentais e das correntes de ideias na sociedade, para além dos círculos restritos”.
Após indicar alguns critérios que podem ser adoptados para delimitar períodos da história da imprensa – acontecimentos políticos, correntes culturais dominantes, relações com os poderes públicos e quadro censório, natureza e conteúdo dos jornais, desenvolvimento da imprensa periódico como indústria, evolução da técnica jornalística –, José Tengarrinha refere que, finda a década de 40 do século XX, toma-se, sobretudo, em consideração o modo como o jornal chega ao leitor. Conjugando este e outros critérios, o autor determina quatro fases: os primórdios, das Gazetas da Restauração de 1641 à Revolução de 1820; o nascimento da imprensa de opinião, da Revolução de 1820 ao estabelecimento da monarquia constitucional em 1834; a época de liberais contra liberais, do fim da guerra civil à Regeneração; a Regeneração Pacificadora, de 1851 à organização industrial da imprensa em 1865.
A necessidade de uma transmissão mais fluida e regular da informação, o crescente interesse do público pela “notícia” que lhe permitisse um conhecimento mais seguro da realidade nacional e satisfazer a curiosidade crescente pelos acontecimentos internacionais, o progresso da tipografia, a melhoria das comunicações e o aumento da concentração urbana são cinco factores que, segundo José Tengarrinha, ditam o aparecimento dos primeiros jornais na Europa. No Portugal das primeiras décadas do século XVII, escutava-se a oratória sagrada (e o padre António Vieira). “Pregador era a maneira antiga de ser jornalista, como jornalista é a maneira moderna de ser pregador”, escreveu Sampaio Bruno. O jornalismo nasce em Novembro de 1641, quando surge o primeiro número das Gazetas da Restauração. Um longo caminho se percorrerá até a Revista Universal Lisbonense registar, em 21 de Maio de 1846, que “o jornalismo, o vapor e os carris de ferro são, segundo se diz, os três mais poderosos agentes da civilização moderna que hoje se conhecem; e dentre eles o jornalismo é o mais poderoso”.
Com a Nova História da Imprensa Portuguesa. Das origens a 1865, José Tengarrinha cumpre dois objectivos: fazer a história da imprensa periódica e utilizar a imprensa como fonte histórica e instrumento para o conhecimento do passado.

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