Como é a primeira página de um jornal em greve

P23 correo andalucía

Quando os jornalistas fazem greve, não há, por regra, jornal. Mas há excepções. Por isso, ontem, num dos cinco dias de greve, os jornalistas de El Correo de Andalucía resolveram preparar uma edição especial, com a capa que aqui se reproduz (o jornal todo, em PDF, pode ser descarregado clicando aqui. Tal como a greve, pretende chamar a atenção para a situação de indefinição em que vive o decano da imprensa de Sevilha, depois de os donos, o Grupo Alfonso Gallardo, um conglomerado empresarial dedicado à siderurgia e à construção, o terem vendido sem que os compradores tivessem oferecido qualquer garantia de continuidade da publicação. Tratou-se uma “opaca operação de venda”, dizem os trabalhadores de El Correo de Andalucía, que se dizem “indefesos” e reclamam que o Grupo Gallardo assuma a responsabilidade de uma resolução digna, que não dite o fim do jornal.
Na edição especial de El Correo de Andalucía, escreve-se que a greve impediu que o diário chegasse aos quiosques, o que aconteceu “pontualmente durante 47.576 edições, ou seja, desde há 114 anos, nove meses e seis dias”. Em toda a história do jornal, acrescenta-se, apenas incidentes como o sequestro durante a Sanjurjada de 1932  ou o golpe militar de 36, dois fracassados golpes de Estado militares contra a Segunda República espanhola, tinham conseguido afastar a publicação dos leitores, com os quais os jornalistas dizem pretender encontrar-se de novo em breve.

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