A poesia, o teatro e a comunicação no Dia de Todos os Santos

Jean Racine e Pierre Corneille

Jean Racine e Pierre Corneille

É uma preocupação pouco vulgar sobre a comunicação, a que o escritor francês Jean d’Ormesson manifestou numa entrevista concedida à revista La Vie a propósito dos dias de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos. Questionado sobre a circunstância de não ter podido ler enquanto esteve doente por culpa de um cancro, o “escritor da felicidade com o culto dos mortos”, tal como o classifica a revista, diz que foi salvo pela poesia: “Criei uma pequena biblioteca, recitando alguns versos na minha cabeça. Reconstituí cenas inteiras de Racine e Corneille”. Considerando exagerado dizer que tal é uma consequência de um culto dos mortos, o escritor julga que se trata de uma verdadeira presença do passado, de assumir um legado. Daqui guardou Jean d’Ormesson o que classifica como uma grande interrogação: “A herança continuará para além da minha geração?” É que, acrescenta, “um dos dramas contemporâneos decorre do facto de a comunicação, tão invasiva, não ser vertical. Ela abandonou o passado e a transcendência. O Facebook é uma comunhão horizontal e sem Deus. Riem-se do meu gosto das citações. Mas, para mim, trata-se de um modo de fraternidade com Kant ou Spinoza”.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>