Um optimista e o futuro da imprensa

P23 NYT
Encontrar um optimista em relação ao futuro da imprensa não é uma tarefa fácil. O diário francês La Croix descobriu um e entrevistou-o (“Même en crise, la presse a un avenir”). Jornalista e professor, Jean-Paul Marthoz foi questionado sobre as razões por que vale a pena ter esperança. Olhe-se para os Estados Unidos da América, pediu ele. “Em primeiro lugar temos o The New York Times. Este jornal de dimensão internacional conseguiu encontrar um equilíbrio entre o gratuito e o pago. Também inventou novas práticas, assentes na colaboração e nos blogues de especialistas. Trata-se de um exemplo, não de um modelo. Cada jornal deve reflectir sobre a sua realidade. As soluções não serão gerais, mas particulares, tendo em conta a identidade do jornal e as características dos leitores”.
O professor de Jornalismo Internacional na Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, considera positiva a circunstância de os financeiros estarem a investir na imprensa diária dos Estados Unidos da América. Foi o que sucedeu com Warren Buffet, que comprou cerca de sessenta diários locais “por julgar que a imprensa ocupa uma função essencial no seio da sociedade americana”. O investidor “considera que é possível encontrar um equilíbrio financeiro, desde que não se fique à espera de obter taxas de rentabilidade de 10 à 20%”. O exemplo não é único. Marthoz acrescenta os casos de Jeff Bezos, fundador da Amazon, que gastou em Agosto 250 milhões de dólares para comprar o The Washington Post, e de Pierre Omidyar, um dos fundadores de eBay, que vai gastar o mesmo no lançamento de um novo media de investigação, que contará com o jornalista Glenn Greenwald, conhecido por, no The Guardian, ter dado voz a Edward Snowden e às revelações sobre o vasto sistema americano de espionagem.
Um dos temas da conversa foi a distinção que Marthoz faz entre uma crise da imprensa e uma do jornalismo. “Nos Estados Unidos da América, a crise do jornalismo de qualidade e de interesse público data do início de 1980, quando a imprensa se encontrava de boa saúde”, sendo certo que, refere o jornalista e professor, uma certa imprensa é vítima tanto da crise do jornalismo quanto das mudanças tecnológicas trazidas pela Internet e da financeirização dos media. Mas Marthoz garante que não estamos no fim de um ciclo, mas no início de uma profunda refundação do mundo da imprensa. “O jornalismo, que tem por missão fornecer informações aos cidadãos para que eles possam agir na cidade e ser um contra-poder, será a fonte da renovação, não apenas do jornalismo, mas também do seu modelo económico”.

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