O mundo das primeiras páginas

Olhando para as 939 primeiras páginas de jornais de 88 países hoje apresentadas no Newseum, é fácil perceber que elas se dirigem a distintos géneros de leitores. Uns apreciam jornais sérios, como o alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung; outros preferem jornais sensacionalistas, como o colombiano Qhubo. Por vezes, é a publicidade que preenche a primeira página, como no caso do austríaco Der Standard.

Olhando para as 939 primeiras páginas de jornais de 88 países hoje apresentadas no Newseum, é fácil perceber que elas se dirigem a distintos géneros de leitores. Uns apreciam jornais sérios, como o alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung; outros preferem jornais sensacionalistas, como o colombiano Qhubo. Por vezes, é a publicidade que preenche a primeira página, como no caso do austríaco Der Standard.

Estudar as primeiras páginas é um bom modo de se começar a descobrir a imprensa nacional e internacional e, simultaneamente, de se iniciar o estudo de inúmeros temas e conteúdos do programa de várias disciplinas.
Uma primeira página, por si só, não permite formular uma opinião sólida sobre um jornal, mas ela diz-nos bastante sobre ele. É que numa primeira página há uma primeira selecção e hierarquização de notícias e de opiniões que é muito significativa. Estudar algumas primeiras páginas revela-se, pois, uma actividade muito útil para conhecer o mundo da imprensa. Este trabalho deve, evidentemente, ser mais ou menos aprofundado em função dos anos de escolaridade dos alunos.
Na Internet, no site do Newseum, apresentam-se, diariamente, as primeiras páginas de quase um milhar de jornais de pouco menos uma centena de países de todos os continentes. Por proporcionar um interessante contacto com a imprensa mundial, que de outro modo dificilmente poderia ser conhecida, merece uma visita demorada. Aí podem os professores de várias disciplinas, designadamente de Português, línguas estrangeiras, Geografia ou História, encontrar também interessantes recursos para as suas aulas.
Olhando para uma primeira página, importa que os alunos reparem num conjunto de elementos, o que requer que lhes seja pedido para indicarem:
• se recorre principalmente à imagem (exibindo uma fotografia de grande formato e apenas um número reduzido de títulos) ou ao texto (publicando uma ou outra fotografia de pequenas dimensões);
• quantas notícias apresenta;
• qual é a que tem um maior destaque (a oportunidade justifica que se fique a saber que manchete é, na acepção jornalística, o título ou assunto principal da primeira página de um jornal e se fale da selecção e da hierarquização da informação que, necessariamente, se opera na primeira página e no resto do jornal);
• quais são as que têm um destaque inferior;
• quais são os temas das notícias (cultura, desporto, economia, política nacional, política internacional, sociedade, etc.);
• quantos textos de opinião apresenta (aos alunos mais novos deve ser bem explicada a distinção entre informação e opinião);
• se há publicidade. E, havendo, a que produtos ou serviços;
• as vantagens e os inconvenientes dos diversos modelos de primeiras páginas;
• de que modelo se aproxima a primeira página do jornal da escola, no caso de o haver (importa sublinhar que uma primeira página, incluindo, claro, as dos jornais escolares, deve ser informativa, legível e apelativa);
• o continente e o país de origem de cada jornal (a ocasião pode ser aproveitada para conhecer cada um dos países, designadamente, por exemplo, a respectiva história e geografia, os principais escritores, músicos ou cientistas);
• os títulos mais apelativos (os alunos devem ficar a saber que um título deve, por exemplo, conter o essencial do texto; incluir um verbo, de preferência na voz activa e no presente ou no futuro; ser afirmativo; e evitar comentários).
Os mais novos devem reparar que nenhuma primeira página dispensa o nome do jornal, o número, a data, o preço, etc., algo que deve ser tido em conta quando se faz um jornal escolar.
Nas várias disciplinas, é possível aproveitar as primeiras páginas para abordar inúmeros aspectos do programa. Procurar informação que complemente ou actualize a informação incluída nos diversos manuais escolares é um trabalho que pode ter resultados surpreendentes.
Na ocasião em que se explicar que uma manchete é um francesismo – a palavra original é manchette, diminutivo de manche –, é útil pedir aos alunos para elaborarem uma lista de estrangeirismos. Depois, pode-se aprofundar um outro aspecto que na ocasião possa ser mais pertinente sobre a origem e formação das palavras da língua portuguesa.
O estudo das primeiras páginas pode ser acompanhado pelo visionamento de um ou outro filme, como, por exemplo, The Front Page (1931), de Lewis Milestone, ou The Paper (Primeira Página, na versão portuguesa, 1994), de Ron Howard.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>