Um videojogo bom para o negócio e mau para a educação

P23 GTA 5
O quinto episódio do videojogo Grand Theft Auto (GTA V), que começou agora a ser colocado à venda, é já um sucesso comercial. Para os educadores, trata-se de um péssima notícia. O GTA V “assenta claramente na valorização de comportamentos ilegais e amorais”, afirmou Olivier Gérard, especialista em videojogos da Union Nationale des Associations Familiales francesas e responsável pedagógico por um site de informação e sensibilização em relação aos videojogos, o PédagoJeux. Citado pelo diário La Croix (“Grand Theft Auto relance le débat sur le danger des jeux vidéo violents”), observa ele ainda que, “para triunfar, é necessário saber comportar-se como um assaltante à mão armada, um escroque, etc.” Em suma, é preciso agir ilegalmente. O videojogo, conclui Olivier Gérard, veicula um conjunto de valores que não se deseja transmitir aos filhos.
Também referido pelo jornal, Michel Desmurget, director de investigação em neurociências no Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale, manifesta-se espantado pelo zumbido mediático a propósito do GTA V. “Os pais que o oferecem aos filhos pensam sem dúvida que se trata de um videojogo com corridas de viaturas. Eles não sabem que, nele, é possível ver, de modo muito realista, uma prostituta rebentar o crânio”.
O diário francês escutou ainda Olivier Phan, especialista em dependências e um dos autores de Videojogos e adolescentes, não diabolizar para melhor acompanhar (Paris: Éditions Pascal, 2009), que defendeu a necessidade de os pais dialogarem com os filhos sobre as práticas culturais dos mais novos. Apesar de ter a indicação de ser desaconselhado a menores de 18 anos, a recomendação não será seguida. Assim sendo, Olivier Phan defende que “é importante que pais conversem sobre os valores que o GTA V veicula – apologia da violência, da mulher objecto, da prostituição –, que nada têm a ver com os valores familiares”. Para este especialista, em vez de proibições, é preferível, de facto, levar os jovens a reflectir sobre os valores que o jogo promove, a discutir os verdadeiros valores e os princípios mercantis”. Olivier Phan sugere que se aproveite a ocasião para educar contra o dinheiro fácil ou para tornar evidente que a pornografia não tem nada a ver com o amor.

2 comentários a Um videojogo bom para o negócio e mau para a educação

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>