
A última pergunta da longa entrevista a Richard Ford, que o suplemento Babelia do diário El País hoje publica a pretexto da edição do romance Canadá, pretende indagar até que ponto a dislexia do entrevistado é determinante para o entender como pessoa e como escritor. A resposta é uma instrutiva observação sobre como, agora, frequentemente, digamos assim, se comunica: “Em consequência da minha lentidão na escrita e na leitura, os meus livros são mais pacientes e profundos que acelerados e superficiais. A dislexia obriga-nos a escutar os outros com atenção se queremos entender algo. Isto é algo exótico nos dias de hoje, porque na maioria das conversas não se partilha informação. Não há empatia, nem compaixão, nem, tão pouco, entendimento possível. As conversas de hoje consistem em as pessoas se colocarem numa fila, esperando a sua vez para falar”.