Contra Edward Snowden

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Entre os que reprovam Edward Snowden, encontra-se Mario Vargas Llosa. Em “Jubilar a los espías”, um texto publicado ontem no diário El País, diz o escritor que os espiões, desde que existem, o que fazem é violar a intimidade dos cidadãos dos seus próprios países e dos alheios. Vargas Llosa, de resto, julga que o direito à privacidade já desapareceu há algum tempo no mundo em que vivemos. “Arrasaram-no, antes dos espiões, a imprensa cor-de-rosa e as revistas do coração, a ferocidade dos debates políticos que, no seu afã de aniquilar o adversário, não vacila em expor à vista de todos as intimidades mais secretas e a avidez de um público por irromper no âmbito do privado para saciar a sua curiosidade com segredos de cama, escândalos de família, relações perigosas, intrigas, vícios, tudo aquilo que antigamente parecia vetado à exposição pública”. Hoje, acrescenta o escritor, “a fronteira entre o privado e o público eclipsou-se e, ainda que existam leis que na aparência protegem a privacidade, poucas pessoas acorrem aos tribunais para a reclamar, porque sabem que as possibilidades de que os juízes lhes dêem razão são escassas. Deste modo, ainda que por inércia continuemos a utilizar a palavra escândalo, a realidade esvaziou-a do seu conteúdo tradicional e da censura moral que implicava, passando a ser sinónimo de entretenimento legítimo”.
Para Vargas Llosa, não tem muito sentido converter Edward Snowden num herói da liberdade, pois ele fez mais do que revelar que os espiões são como as donas de casa, os afáveis profissionais e os burocratas, que violam diariamente a privacidade dos cidadãos, lendo as revistas, escutando ou vendo na rádio e na televisão os programas destinados especificamente a violá-la – a grande diversão mediática do nosso tempo.

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