50 anos da Turma da Mónica

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A história é muito instrutiva. Até à página nove, Mónica (ou Mônica, no original) e os amigos, Magali, Cascão e Cebolinha, atrapalham todos os trabalhos que um menino se esforça por fazer. “Por que tá dando tudo errado nesta história?!”, pergunta ele. Desolado, com uma lágrima a cair, diz: “Eu só quero trabalhar em paz…” No quadradinho a seguir, há uma fala vinda do alto: “Mas você é só uma criança!”. A voz apenas se identifica na página dez: “Olá turminha! Sou eu, Maurício de Sousa! E nas minhas histórias, crianças não trabalham!”. Sentado em frente ao estirador, o autor da Turma da Mónica acrescenta que as crianças e adolescentes com menos de 16 anos não devem trabalhar”. Nas páginas seguintes, Mónica e os amigos exemplificam o que as crianças devem fazer. A lista inclui brincar – porque “brincar estimula a criatividade, a sociabilidade e é divertido” –, estudar, aprender, sonhar, alimentar-se bem – “e comer umas besteirinhas, de vez em quando, também! por que não?” – dormir bem e ser feliz. Maurício de Sousa apresenta depois às suas personagens exemplos de trabalhos que podem ser feitos – “…ajudar a mamãe e o papai em casa…” – porque são pequenas tarefas que não prejudicam o desenvolvimento natural das crianças. Nas páginas finais, o autor desaparece e o narrador retoma o fio da história inicial que termina como deve ser.
Esta publicação, intitulada “Trabalho infantil nem de brincadeira!”, que foi oferecido no 2.º Congresso Literacia, Media e Cidadania, realizado em Maio, em Lisboa, oferece um bom pretexto para assinalar os 50 anos da Turma da Mónica, cujas aventuras serão homenageadas num jardim temático que será edificado na Amadora, o município que promove um importante festival de banda desenhada.
Numa entrevista concedida a Maria Espírito Santo, que o jornal i publicou no sábado passado (“Fugi das manifestações na rua para fazer o meu primeiro desenho”), Maurício de Sousa contou que as maiores críticas que recebeu disseram respeito ao comportamento das personagens. Houve quem não aceitasse que o Cascão jamais tomasse banho ou que a Mónica fosse muito violenta. “Uma vez um grupo de crianças de Brasília fez um abaixo-assinado ameaçando não comprar mais as revistas se a Mónica continuasse a bater tanto no Cebolinha. Eu examinei as minhas histórias e falei: ‘Realmente a Mónica está exagerando, vou suavizar um pouco e não vou mostrar ela batendo.’ Assim que a gente não desenha a briga mas faz umas fumacinhas, alguns sons onomatopaicos. As crianças sugeriram, eu aceitei”.
Para Maurício de Sousa, “é muito importante colocar no miolo, lá no interior dos quadradinhos, algumas mensagens, alguma sugestão em comportamento, informação. Podemos dizer que formamos o leitor”.

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