Fernando Pessoa, “jornalista” quando jovem

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Quando era novo, Fernando Pessoa deu vida a vários jornais e jornalistas. “A multiplicação de Pessoa em várias personagens, mais do que um fenómeno literário, era uma condição existencial, que remonta à sua infância, como provam os ‘jornais’ inventados por ele aos 13 anos, quando veio de África com a família para passar férias em Portugal”, escreve Richard Zenith em Fernando Pessoa, uma fotobiografia, editada em 2010 pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates, que se recomenda a quem quiser conhecer ou recordar a vida e a obra do poeta que nasceu faz hoje 125 anos.
O Palrador foi o primeiro jornal elaborado por Pessoa, numa caligrafia cuidada e colunas direitas, regista o ensaísta e vencedor do Prémio Pessoa em 2012. A publicação foi feita no início de 1902 e teve cinco “números”. O director chamou-se Pedro da Silva Salles. Entre os colaboradores, estavam nomes como Pad Zé, Pip, Dr. Pancrácio e Diabo Azul. Pouco tempo depois, quando a família esteve na Terceira durante nove dias, o jovem Fernando Pessoa editaria A Palavra. Regressado a Lisboa, retomaria a publicação de O Palrador. Entre os novos colaboradores, estava o poeta Eduardo Lança, cuja biografia, inventada, era apresentada pela “redacção”.
Os jornais do jovem Pessoa, como refere Richard Zenith, incluíam anedotas, charadas, ensaios, poemas, reportagens e notícias. Uma delas, conta o autor da fotobiografia, denunciava o “péssimo costume” que uma prima tinha de se levantar muito tarde.

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