Escutar as crianças

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A celebração do Dia Mundial da Criança favorece que se olhe mais atentamente para umas quantas experiências protagonizadas por crianças em múltiplos cantos do mundo. A revista brasileira online PontoCom apresentou na quinta-feira o Projecto Criança Pequena em Foco, promovido pelo Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), que, durante o ano passado, dinamizou vários espaços para que crianças do Rio de Janeiro retratassem as suas comunidades e identificassem as respectivas necessidades, contribuindo assim para a construção de boas políticas públicas. A pergunta: “Podem as crianças entre os quatro e os doze anos ajudar a formular políticas públicas?” encontra uma resposta clara: “Não só podem, como devem”.
O caderno “Vamos ouvir as crianças?” dá conta do trabalho realizado e do seu carácter exemplar. A coordenadora da iniciativa, Moana Van de Beuque, citada pela revista PontoCom, enquadra o projecto no âmbito do programa Cidade Amiga da Criança da UNICEF, que defende que o respeito pelos direitos das crianças nas cidades passa por incluir a sua participação no planeamento e na execução das acções que a elas se destinam. “Vamos ouvir as crianças?” apresenta-se, ao mesmo tempo, como um convite endereçado a educadores, cientistas sociais, arquitectos, urbanistas e outros profissionais, para que escutem as opiniões e os desejos das crianças e para que os integrem na elaboração das políticas públicas e na criação de projectos de intervenção em infra-estruturas e em equipamentos urbanos para os mais novos.

Acreditar nas crianças

O empreendimento supõe que se acredite que as crianças são capazes de agir e de transformar os espaços em que vivem. Esta perspectiva, explica o CECIP, muda a concepção tradicional, que considera as crianças como seres passivos, sem opinião, ideias ou vontade próprias, que devem aguardar que chegue o momento, no futuro distante, para se tornarem cidadãos, altura em que poderão ter uma participação activa na vida cívica. Incluir a participação das crianças na construção de políticas públicas e no planeamento urbano é, pois, como dizem os promotores deste projecto de auscultação, um grande desafio.
O Projecto Criança Pequena em Foco fez com que as crianças entrassem em contacto com diferentes culturas, além de reflectirem sobre o lugar onde moram e o seu modo de vida. Conhecer a relação das crianças com a comunidade onde vivem e a forma como se relacionam com os espaços, foi o objectivo seguinte. O aprofundamento deste aspecto permitiu, com o auxílio de um jogo, conhecer e compreender a perspectiva das crianças sobre os caminhos que percorrem no seu dia-a-dia e sobre as vivências boas e más que experimentam quando estão fora de casa.
O momento seguinte passou por entender o universo das brincadeiras infantis e a forma como as crianças se apropriam dos espaços da comunidade para os seus encontros sociais e as suas actividades recreativas. Depois, foi possível produzir com as crianças um mapa contendo os lugares significativos para elas, como, por exemplo, os espaços onde moram, circulam, estudam ou brincam. Este mapa sinaliza, igualmente, os sítios onde elas não podem ou não costumam ir.

Um jornal vídeo para ajudar a identificar e a resolver problemas

A realização de uma nova actividade serviu para compreender o que pensam as crianças sobre as mudanças que ocorreram ao longo do tempo no lugar onde moram, em que medida elas modificam o seu quotidiano e trazem outras perspectivas de futuro. A ocasião era chegada para promover um debate entre as crianças sobre os problemas e as coisas boas do sítio em que vivem, e construir conjuntamente propostas de mudança”. A realização de um jornal vídeo, já num momento final, concorreu para incentivar o protagonismo das crianças na sinalização dos problemas da comunidade.
O jornal vídeo, pode ler-se em “Vamos ouvir as crianças?”, oferece aos mais novos a oportunidade para falar com adultos e com outras crianças sobre as dificuldades que enfrentam no quotidiano e as mudanças que gostariam que fossem feitas em sua comunidade.

[A imagem reproduz o desenho da capa de “Vamos ouvir as crianças?”]

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