São muitos e variados os lugares de alunos e de professores, cartografados em textos ou em desenhos, que permitem realizar um longo e atractivo passeio na revista Defacto, da Escola Secundária de Alberto Sampaio, Braga, acabada de sair da gráfica. O caminho faz-se ainda com outros guias, como Sophia de Mello Breyner Andresen, Ruy Belo, Jorge Luis Borges, Alberto Caeiro, Italo Calvino, Bruce Chatwin, Carlos Poças Falcão, Predrag Matvejevitch, Jorge de Sena e George Steiner, para citar alguns dos autores dos textos, ou Georgio Chirico, René Magritte e Robert Delaunay, para referir os artistas plásticos chamados para as páginas da revista. A Defacto teve ainda a simpática ideia de pedir a estudantes e a professores de outros estabelecimentos de ensino bracarenses que apresentassem os seus espaços de criatividade e os seus lugares interiores.
Uma longa entrevista que o alpinista João Garcia concedeu a Amadeu Santos, o director da Defacto, mostra o quão instrutivas se podem revelar certas caminhadas. Assaz pertinente é, por exemplo, o elogio da paciência, uma das características requeridas para o exercício do alpinismo. “Isto faz muita diferença com os adolescentes e jovens de hoje, que são capazes de se impacientar até com os poucos segundos que a Internet demora a carregar”, observa João Garcia, que julga que tal “é o resultado de consumo instantâneo, já não digo imediato”. O alpinista contou ainda que vai a escolas partilhar conhecimentos e experiências com os alunos. “Se for a uma escola e houver nem que seja um ou dois estudantes a ficarem com os olhos a brilhar e a acreditarem na minha mensagem, e que isso contribua para um dia virem a ser bons médicos, bons advogados, bons profissionais e, sobretudo, boas pessoas, então, para mim, está ganho o dia”.
Como convém a uma publicação atenta, a Defacto também não se esqueceu de apresentar diversos não-lugares e de evocar o autor da designação desses espaços de passagem, o etnólogo francês Marc Augé.
