É preciso conversar sobre sexo com as crianças e os adolescentes

Foto: Dan Chung

Foto: Dan Chung

O aumento do número de crianças e adolescentes, principalmente do sexo masculino, que vêem pornografia na Internet é o tema de uma crónica de Marcus Tavares, especialista em educação para os media, publicada no jornal brasileiro O Dia. O texto vem chamar a atenção para um assunto muito inquietante, de que, contudo, raramente se fala.
Marcus Tavares cita um estudo publicado pela universidade de Plymouth, no Reino Unido, no final do ano passado, que revelou que jovens com idades entre 16 e 24 anos se estão a viciar em pornografia online desde os 11 anos. E o mais preocupante, acrescenta Marcus Tavares, é que um em cada três entrevistados admitiu que a pornografia afecta os relacionamentos amorosos. É que as cenas pornográficas observadas transmitem expectativas irreais sobre o sexo, padronizando gostos, atitudes, preferências e modelos de perfeição e virilidade. “Os vídeos criam, quase sempre, visões distorcidas do papel e do relacionamento de homens e mulheres, o que provoca, segundo os entrevistados, angústias, decepções e muita, muita ansiedade”.
Para Marcus Tavares, o relato dos jovens é eloquente: a pornografia está a ocupar o papel de educadora sexual das actuais gerações. De deseducadora, dizendo melhor. Para alterar a situação, o autor da crónica pede que haja mais diálogo entre pais e filhos. “Ser indiferente a esta questão, colocada pelos próprios adolescentes, é ignorar o dever que os pais têm de ajudar e orientar seus filhos num tema tão delicado e importante”.

Sobre o tema, vale a pena ler também o artigo “We need to talk about sex – not just filter it out“, publicado no jornal britânico The Guardian, em que se defende que é mais importante conversar sobre sexo do que impedir o acesso à pornografia online. O texto é acompanhado pela fotografia de Dan Chung, aqui reproduzida.

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