A memória do Holocausto nos jornais escolares

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O Dia da Lembrança do Holocausto – ou Yom HaShoá – foi hoje evocado em Israel. De manhã, enquanto se escutava o som de sirenes, o país parou durante dois minutos. Particularmente presente estará, este ano, a memória dos combatentes do gueto de Varsóvia, que, há 70 anos, em Abril, se revoltaram contra os nazis. Nos países ocidentais, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto comemora-se no dia 27 de Janeiro, data que coincide com o aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz pelas tropas soviéticas. Em Israel, o Holocausto é lembrado oito dias antes de se comemorar a fundação do Estado em 1948. A memória do Holocausto também se encontra muito visível nos jornais escolares portugueses.
O jornal Encontro, da Escola Secundária Francisco de Holanda, em Guimarães, publica no seu número de Março, uma entrevista que os alunos Paulo Oliveira e Andreia Mota concederam ao colega Emanuel Nogueira a propósito de uma visita a Auschwitz. Os dois jovens contaram o que pensaram e sentiram no final. “Não consigo compreender o que pode passar pela cabeça da pessoas para fazerem coisas daquelas”, disse Paulo Oliveira. Andreia Mota acrescentou: “Fiquei completamente chocada. Aquele lugar tocou-me imenso, pois apercebi-me que o ser humano pode ser muito cruel, egoísta e insensível”. “Logo no início da visita, pairava entre todos nós um sentimento de tristeza, mas com o decorrer da visita fui ficando cada vez pior. Ver tudo aquilo e imaginar o que eles terão sofrido deixou dentro de mim um sentimento de revolta”, disse ainda Andreia Mota.
Questionados sobre o que mais os tinha impressionado, Paulo Oliveira referiu “as câmaras de gás e o crematório”, fazendo notar que é impossível imaginar o que ali se passou. Andreia Mota disse que sempre pensou “que iria ficar mais marcada com as câmaras de gás onde foram mortas todas aquelas pessoas, mas na verdade foi uma sala cheia de pertences de crianças: malas, roupas, sapatos… Ao ver aquelas roupinhas pequeninas e aqueles sapatinhos e pensar que aquelas crianças morreram, com pouco mais de um ano e algumas nem isso, apenas pela sua religião ou raça. Estavam indefesas nas mãos daqueles repugnantes seres humanos. Isso tirou-me ‘o chão dos pés’”.
O Encontro publica ainda um texto muito instrutivo de Manuel Lança, aluno do 12.º ano, sobre Auschwitz e os feitos de Witold Pilecki, um resistente polaco, e Aristides de Sousa Mendes. O artigo surgiu a propósito de uma palestra do neto do cônsul português em Bordéus, António Sousa Mendes, realizada na escola, dia 7 de Fevereiro passado.
O Mar da Palha, da Escola Secundária Emídio Navarro, Almada, ocupou a totalidade da primeira página do penúltimo número com uma fotografia de Auschwitz e, nas páginas interiores, publicou uma emotiva reportagem de Ana Maria Silva, professora de História, sobre a visita que, em Maio de 2012, vinte e oito alunos e dois professores fizeram ao campo de concentração, no âmbito de uma iniciativa intitulada “Comboio dos Mil”, que convidou mil jovens a multiplicar uma dupla mensagem: “que as vítimas do nazismo nunca sejam esquecidas e que os jovens se mantenham alerta para que os episódios mais degradantes da História da humanidade não se repitam”.

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