Intervir através do jornalismo escolar

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A imprensa escolar cumpre missões variadas. Pode, por exemplo, servir para melhorar a aprendizagem da língua portuguesa e para educar para a cidadania. A reflexão sobre a utilidade dos jornais escolares é um bom modo de ajudar a entender melhor as potencialidades que eles têm e, portanto, de os tornar ainda mais úteis. O jornal Palavras Vivas, da Escola Básica 123/PE do Porto da Cruz, na Madeira, incluiu, no seu primeiro número, um texto muito instrutivo de Maria José Brites, investigadora do Centro de Investigação Media e Jornalismo e professora na Universidade Lusófona do Porto, sobre o papel dos jornais escolares no estímulo de uma cidadania activa. Aqui o reproduzimos.

A imprensa escolar tem constituído um exemplo de formação e de promoção de uma literacia para o jornalismo e, por inerência, de uma literacia para a cidadania. Os jornais escolares têm instituído espaços de partilha de conhecimento entre alunos, o resto da comunidade escolar e o meio envolvente.
Claro que são igualmente lugares de aprendizagem para quem quer seguir uma carreira no jornalismo, mas, e porventura o mais importante, é a forma como permitem que os alunos esbocem significados de cidadania ativa. Esta cidadania ativa é construída principalmente se aos alunos forem dadas ferramentas para fazerem o caminho pelo seu próprio pé e para participarem dos processos de decisão e de realização do jornal escolar. A possibilidade de fazer reportagens sobre a comunidade envolvente e, consequentemente, de elaborar pensamentos críticos são oportunidades de ouro que aqui se podem fundar.
A partilha de conhecimentos é tanto mais efetiva quanto nós nos identificarmos e agirmos sobre esse mesmo saber. A investigação que tenho desenvolvido junto de jovens que participam em jornais escolares tem indicado que o sentido dessa literacia para a cidadania é melhor atingido se eles mesmos tiverem a possibilidade de atuarem sobre esse meio escolar em que se inserem.
É, assim, importante promover jornais escolares principalmente feitos por alunos. É uma tarefa mais difícil de conduzir, por comparação com a possibilidade de deixar as decisões apenas nas mãos dos professores, mas é mais proveitosa, uma vez que fomenta a liberdade de expressão, o sentido crítico e o posicionamento sobre o mundo que os envolve. Só assim poderão efetivamente aprender, pela prática, e criar raízes sustentadas para melhor interagirem com o mundo. A literacia acaba por ser um ponto de partida, mas também um meio de chegada.
Por último, mas não menos importante, é de destacar a possibilidade dada pela imprensa escolar para que os alunos possam contactar com práticas de jornalismo e adquirir conhecimentos para (melhor) o entenderem de forma crítica.

Maria José Brites

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