Jornal escolar e vivências humanas no Brasil


Os encontros que permitem conhecer o jornalismo escolar de outros países enriquecem muito o trabalho PÚBLICO na Escola. O mais recente foi com o professor e jornalista brasileiro Jorge Kanehide Ijuim, que se doutorou na Universidade de São Paulo com uma tese sobre o Jornal escolar e vivências humanas. Nessa obra, cujo resumo pode ser lido parcialmente clicando aqui, Jorge Kanehide Ijuim, após recordar um poema de João Cabral de Melo Neto sobre “uma educação pela pedra”, refere os obstáculos que se encontram no caminho de quem quer fazer um jornal escolar e recomenda que, perante eles, se tome uma atitude. Vale a pena ler.
“As pedras são comuns em qualquer caminhada. O que fazer com elas? Contorná-las? Chutá-las? Pode haver mil opções, dependendo do nosso estado de espírito… As pedras são componentes naturais da complexidade da vida e da educação, daí considerá-las normais, como lembra [Edgar] Morin [Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget, 1991] entre as ações, interações, retroações, determinações, acasos que compõem nosso mundo fenomenal. Ao educador há, sem dúvida, uma alternativa singular: aprender com elas. E os educadores participantes das experiências tiveram que encontrar as brechas.
Nos 15 anos em que venho estudando o tema e, mais detidamente nos últimos três anos dessa fase mais recente de pesquisa, os professores enfrentaram alguns entraves que, resumidamente apresento:
• censura (ou auto-censura?)
• ingerência de ordem administrativa
• ausência de infraestrutura para a edição e reprodução do jornal
• falta de apoio das instâncias técnicas e administrativas da escola
Acrescente-se a este quadro as dificuldades técnicas e financeiras por que passam as escolas, especialmente as públicas. No sentido técnico, produzir jornais requer equipamentos, tecnologia e, principalmente, o domínio dessa tecnologia, o que demonstrou ser um entrave real e preocupante aos participantes. Por outro lado, a impressão de jornais exige recursos, normalmente ‘nunca previstos’ pela direção. Diretores e mesmo colegas de trabalho nem sempre entendem o objetivo e/ou o alcance de projetos como o de produção de jornais. Muitos, além de não dedicar qualquer esforço, procuram ‘matar’ tais iniciativas.
Para um sistema educacional administrado nos mesmos moldes de produção industrial, fica muito distante a compreensão de projetos que visem humanizar o processo pedagógico. Os poucos educadores que insistem, persistem e encontrar as brechas no sistema, corajosa e audaciosamente, muitas vezes passam por ‘chatos’.
Mas persistem, contornam as pedras.”

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