Pelo direito a desligar


“Está decidido. Lanço neste jornal – ou não sei que nome dão a este suporte – um movimento”. A proclamação, divulgada pelo jornal The Huffington Post, é da autoria do realizador americano Peter Farrelly. Garantindo que aquilo que propõe é simples, o cineasta reclama, para todos os seres humanos, o direito de se desconectar; um direito que deve ser protegido por leis, regulamentos ou qualquer outra forma de legislação.
O texto, intitulado “The Addiction”, começa com uma declaração: “Não tenho telemóvel. Nunca tive. Não o digo para me vangloriar. De resto, dou-me conta de que isso faz de mim uma espécie de Senhor Cretino”. As admoestações dos amigos e da família por não poder ser contactado a todo o instante são constantes, mas, para o cineasta, é suficiente ter, como ele tem, telefone em casa, no escritório e no automóvel. Estando noutros sítios, deve haver o direito a estar desligado.
É por isso que Peter Farrelly pede que haja uma punição para telefonemas para tratar de assuntos laborais depois de o dia de trabalho ter terminado ou, mesmo, para os telefonemas familiares “por uma coisa de nada”. Uma chamada por uma ninharia “deveria ser considerado como uma forma de violência verbal, susceptível de ser punida por um juiz”.
O cineasta termina recomendando: “Quando, esta semana, saírem uma noite, tentem deixar o telemóvel em casa”. Reconhecendo que “isso será difícil no início, tal como deixar de beber durante um mês”, Peter Farrelly acredita que, algum tempo depois, isso irá sendo cada vez mais fácil e permitirá reencontrar uma lucidez provavelmente esquecida.

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