A vida privada em perigo na Internet

O n.º 21 do Boulevard Saint-Michel, em Paris, no Google Street View

A vida privada está em perigo na Internet?” A pergunta é feita na revista Le Nouvel Observateur que hoje foi para os quiosques. A resposta é sim. Um sim que não surpreende quem não anda muito distraído. “Do Facebook aos e-mails, a nossa intimidade é cada vez mais explorada para fins comerciais pelos grandes grupos que dominam a Internet”, escrevem Mélissa Bounoua e Boris Manenti, autores do texto que passa em revista os principais perigos que correm os internautas – e sobretudo, claro, os mais desprevenidos – e as principais ameaças da Internet à privacidade dos cidadãos.
Criticado com enorme contundência é o Google Street View. “Por que motivo as fotografias de espaços privados, de habitações, de limites de propriedades, de veículos, etc., hão-de ser expostas na Internet à vista de toda a gente?”, questiona um deputado da Union des Démocrates et Indépendants (um partido político francês de centro-direita, fundado pelo ex-ministro Jean-Louis Borloo), Jean-Christophe Lagarde.
Os jornalistas recordam que o Google Street View, desde o seu lançamento em 2007, “é regularmente denunciado como implacável contra a intimidade”. Desde logo, porque qualquer internauta pode encontrar imagens indiscretas de amigos e conhecidos. Para caracterizar o poder do Street View, cita-se o diário alemão Handelsblatt: “O Google sabe mais sobre vocês e eu do que o KGB, a Stasi ou a Gestapo jamais sonharam”.
Também nos e-mails não existe privacidade, dizem os autores do texto, que acrescentam que a correspondência trocada através dos serviços oferecidos pelo Google, a Microsoft, o Yahoo ou o Facebook é alvo de espreitadelas. O Google, por exemplo, analisa detalhadamente os conteúdos para apresentar anúncios personalizados. Mélissa Bounoua e Boris Manenti notam que o próprio Google o reconhece: “A maior parte dos anúncios que colocamos ao lado de um e-mail está relacionado com o seu conteúdo”. A intromissão é também uma prática do Facebook, que analisa as mensagens, incluindo as privadas, a pretexto de procurar “actividades criminais”.

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