A indústria das previsões


Os jornais acabam em 2028”, dizia hoje o título de um artigo de opinião publicado em Dinheiro Vivo. A previsão relativa ao fim dos jornais em papel em Portugal, que, como indicava o articulista, é da responsabilidade do Future Exploration Network, pode acertar ou falhar, tal como se pode falhar ou acertar num jogo de sorte e azar. Certo é que quem, hoje, ler previsões que se fizeram sobre tempos já idos poderá facilmente verificar o quão falível tem sido o ofício da prospectiva.
“A curva de duração média da vida, por exemplo, sobe tão rapidamente que, se continuar a sua escalada, uma criança nascida no ano 2000 não morrerá nunca mais”, dizia, em 1967, Jacques Bergier, na revista francesa Planète. Incluído depois no livro Como viveremos em 1980 (Lisboa: O Século, 1970), o texto com tão esperançosa crença é uma apologia da prospectiva. A previsão do futuro é uma nova indústria, observava Jacques Bergier, fascinado com as actividades (relatórios, cartas, reuniões, etc.) desenvolvidas por vários organismos de predição do futuro sediados maioritariamente nos Estados Unidos da América e com os extraordinários lucros que a nova actividade era capaz de gerar.
Os exemplos de previsões falhadas são incontáveis. Um exemplo imperdível encontrava-se no diário Le Figaro de 28 de Setembro passado. A acompanhar um conjunto de textos que o jornal publicara em 1912 sobre o regresso às aulas (“La rentrée des classes en 1912”), recordava-se uma gravura do início do século XX (acima reproduzida) imaginando o que poderia ser a escola no ano 2000. Não é arriscado vaticinar que, no futuro, as previsões de hoje, mesmo que se apresentem muito sofisticadas, espantarão pela sua simplicidade ingénua.

[Crédito da imagem: Jean Marc Cote ou Villemard]

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