Café Garrett com Rodrigo Castelo, José Júlio Vintém e cozido de grão

O Leopoldo tinha avisado. “Reservem primeiro e pensem depois”. E, pronto, é isso: tinha toda a razão. Estou a falar do jantar (já esgotado) do próximo dia 31 no Café Garrett com José Júlio Vintém e vinhos do Esporão. Não podia ser melhor a escolha – Vintém vai trazer “o seu Alentejo” (e que, como se sabe, é um extraordinário Alentejo) ao restaurante do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

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Foto 1: Sopa de peixe do rio e ovas de barbo

O espaço é gerido por Leopoldo Garcia Calhau que, depois de ter feito sucesso com o Sociedade, na Parede, trocou esse projecto por este. Mas manteve o seu estilo de cozinha – alentejana mas não só, como ele diz. E como alguns se espantaram com a ideia de haver um restaurante, bem… chamemos-lhe “tendencialmente alentejano” entre as paredes do Teatro Nacional, Leopoldo não tem poupado esforços para provar que isso é não só possível como desejável.

Habituadas a que um espaço de restauração num teatro fosse para comer uma sanduíche ou um salgado antes do espectáculo, as pessoas demoraram algum tempo a entender a proposta de Leopoldo. Mas ele não se assustou. E não só manteve a ideia da cozinha alentejana como recuperou uma boa prática do Sociedade, convidando outros chefes para ali irem cozinhar. José Júlio Vintém é o próximo, mas nós estivemos no jantar anterior, com Rodrigo Castelo, da Taberna Ó Balcão, de Santarém, e foi uma experiência óptima – pela qualidade da comida e pela capacidade que Leopoldo e Rodrigo têm de criar um ambiente familiar, descontraído e de nos fazer sentir no átrio do D. Maria como se estivessemos em casa de amigos.

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Foto 2: Cornos e tentáculos (vazia de touro e lulas)

O jantar, que aconteceu no dia 10, começou com três entradas para comer à mão: o famoso croquete de rabo de boi com mostrarda que Rodrigo tem na sua Taberna; um pastel de jardineira de caracoleta, juntando o recheio de Rodrigo com o pastel de Leopoldo; e moreia de escabeche com ovas de lampreia. Excelente forma de começar uma refeição que foi sempre interessante e desafiadora nos produtos usados e nas formas de os trabalhar e – não vale a pena procurar uma maneira mais elaborada de dizer isto – muito boa.

Rio e Mar trouxe um picadinho de fataça e barriga de atum marinada, a que se seguiu a fantástica sopa de peixe do rio (achigã) com ovas de barbo. Bacalhau, grão e saramagos (uma planta silvestre) manteve o alto nível da refeição apesar de ser o prato menos surpreendente. Veio depois Cornos e Tentáculos, nome promissor para o casamento entre vazia de touro (carne muito usada por Rodrigo) e lulas, com batata doce. No menu, o prato seguinte era apresentado como … Mas o que veio foi… muito bom: bode velho capado, marinado e cozinhado muito lentamente, com puré de túberas. Por fim, feijão, javali e queijo de cabra.

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Foto 3: Feijão, javali e cabra

A sobremesa juntou os universos de Rodrigo e de Leopoldo, com o Celeste e a Joana, duas sobremesas, uma vinda do Ribatejo, sendo a outra o célebre pudim de noz, receita da mãe de Leopoldo.

Por tudo isto, e o mais que vai acontecer dia 31, é aconselhável estar atento ao Facebook do Café Garrett porque mais jantares destes virão. E, como avisa o Leopoldo, o melhor é reservar primeiro e pensar depois.

Já agora, outra notícia: o cozido de grão, que foi outro dos pratos-símbolo do Sociedade, voltou agora ao Café Garrett. O primeiro é já no domingo, dia 29, às 13h (15 euros por pessoa, sem bebidas).

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