Foi já há algumas semanas, passaram-se várias coisas entretanto, mas ficou uma óptimo recordação. Por isso acho que ainda vou a tempo de contar aqui o pequeno-almoço em que fiquei a conhecer o projecto A Sociedade.
Fotos: Sandra Pagaimo
O convite dizia que ia acontecer um Breakfast Club num novo espaço próximo do Príncipe Real. Na realidade, A Sociedade fica mesmo em frente do Instituto Britânico e apresenta-se como uma Oficina Criativa Gastronómica. É, ao mesmo tempo, o local de trabalho de Cláudia S. Villax, que quis juntar o útil ao agradável. Aqui faz os seus trabalhos de produção na área da gastronomia – é ela a autora do belíssimo livro Brunch, para além do projecto Azeitona Verde, azeite biológico de Marvão – e, ao mesmo tempo, abre o espaço para encontros, de diversos tipos, que tenham como tema a comida. Na realidade, n’A Sociedade coexistem três empresas: a Food, People & Design, a Azeitona Verde e o Bananal Food Lab, especialista em cozinha criativa.
Cláudia explica que quis fazer algo assim porque sentia que havia necessidade de um espaço que servisse de local de encontro para quem se preocupa com a alimentação, sobretudo ligada aos temas da saúde e da sustentabilidade. Há, por vezes, dúvidas sobre o que é mais saudável, a importância do biológico, os riscos dos químicos nos alimentos, etc. Se A Sociedade puder servir de ponto de encontro para quem partilha estas preocupações, Cláudia ficará contente. O espaço, que funciona também como estúdio de fotografia, pode ser alugado para eventos, lançamentos, workshops, etc.
Para já, nesse dia – ainda antes da inauguração oficial – A Sociedade recebeu o projecto Breakfast Club, de Emily Miller, que vai na sua 14ª edição e que aconteceu pela primeira vez em Portugal. A ideia é juntar, à volta de uma mesa de pequeno-almoço, um grupo de pessoas que sejam “criativas”, ligadas a diferentes áreas, e que aqui podem passar a conhecer-se ou simplesmente reencontrar-se, criando laços (espera-se) mais profundos. É uma forma de fazer redes de contactos, com o excelente pretexto que é uma refeição.
Ajudou, e muito, o espaço ser tão bonito. Despojado, branco, com móveis em madeira, tem uma cozinha onde Leonardo Pereira preparava o pequeno-almoço quando entrámos. E essa foi outra das boas surpresas deste Breakfast Club: é um privilégio ter o Leonardo (que veio do Noma, em Copenhaga, passou pelo Areias do Seixo, em Portugal, e, espera-se, um destes dias abrirá um projecto em nome próprio) a cozinhar para nós. As pessoas iam chegando, havia, logo à entrada, café do Copenhagen Coffe Lab, cujo cheiro nos puxava para dentro, uma mesa com uma cesta cheia de laranjas, e um ar de festa de amigos.
Na mesa grande, ao fundo, junto à cozinha, esperavam-nos sumos com frutas do projecto Fruta Feia e legumes, granolas, pão de abóbora, madalenas de laranja, iogurte caseiro, ovos mexidos sobre os quais esvoaçavam flocos de atum, e, entre outras coisas, uma particularmente inesquecível: papa de milho paínço (ou millet) com cogumelos. Explicou-me depois o Leonardo que o sabor a queijo não vem de nenhum parmesão ou queijo semelhante, mas apenas da fermentação dos grãos de millet, à semelhança do que fazem na Etiópia. É delicioso.
O encontro, co-organizado por Sandra Pagaimo (Little Upside Down Cake), que trouxe uma excelente granola de espelta, e por Miguel Andrade, teve ainda a participação da ilustradora Ana Gil e do projecto de arranjos de flores kckliko, que também vale mesmo muito a pena conhecer. E que, se não fosse o Breakfast Club, eu provavelmente continuaria sem conhecer. É para isso que servem estes encontros inesperados. É para isso que A Sociedade abre as suas portas.



