Festejar o Dia do Gin Tónico no Ritz

No meio da loucura nacional com o gin, nasceu até um Dia Nacional do Gin Tónico, sempre no primeiro sábado de Verão. Muita gente interroga-se como é que Portugal se converteu ao gin de forma tão súbita, inesperada e apaixonada. Há, certamente, várias razões para esta moda que começou em Espanha e espalhou-se depois por Portugal. É, por um lado uma bebida fácil e excelente para os dias quentes e, por outro lado, foi tornada suficientemente “complicada” para despertar interesse.

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De repente, todos percebemos que o banal gin com água tónica, que pensávamos não ter segredos, pode ser algo que exige, literalmente, um curso. Mas o factor decisivo para o boom do gin tem a ver com o trabalho que tem sido feito pelos Gin Lovers, que estão por trás de muitas das iniciativas ligadas ao gin, como este Dia Nacional. Foram eles que nos receberam no Ritz para um mini-curso antes de ficarmos a conhecer o menu de harmonização com gin preparado pelo chefe Pascal Meynard, do Restaurante Varanda, partindo da bebida para depois criar os pratos.

O mini-curso é apenas uma amostra do que podemos aprender nos workshops de várias horas que a Gin Lovers propõe aos apreciadores de gin que querem conhecer mais sobre esta bebida. Ficamos a saber, por exemplo, que “o ácido cítrico de uma rodela de limão destrói o gás da água tónica”, pelo que não se deve juntar limão ao gin tónico. O gin tem sempre como base um álcool neutro, que pode ser feito de muitas coisas, mas geralmente é de cereais e tem como sabor dominante o zimbro. O gin, neste caso o Indian Tonic, era uma bebida que ajudava os ingleses a ingerir o quinino necessário para os proteger da malária na Ásia e, para disfarçar o sabor, levava açúcar. O London Dry distingue-se precisamente por ter menos açúcar.

A isto juntam-se os botânicos, que idealmente devem ser entre 6 e 13 e que, hoje em dia, incluem as coisas mais variadas. O processo é fácil, trata-se de uma destilação simples, feita com a ajuda de um alambique – como os Gin Lovers demonstram nos seus workshops, criando um gin feito “à medida” pelos participantes, que podem sugerir que botânicos juntar (e responsabilizar-se pelo resultado).

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E faz sentido harmonizar gin com comida? Na opinião dos Gin Lovers, faz todo o sentido. Mas encontrar as melhores ligações, esse é trabalho dos chefes. O menu preparado por Pascal Meynard é um exemplo indiscutível de criatividade a esse nível. Primeiro chega à mesa um prato com rodelas de laranja e flores de laranjeira, sobre o qual é deitado nitrogénio líquido, que rapidamente envolve tudo numa nuvem com aroma de flor de laranjeira. Criado o ambiente é servida a entrada: tomate em várias texturas (imperdível) com gel de toranja com flor de laranjeira, acompanhado por um gin feito com Gin Mare e manjericão.

Segundo prato, segundo gin – desta vez o Beefeater 24 (zimbro, coentro, raiz de angélica e sementes, casca de laranja Sevilha, casca de limão, lírio e amêndoa), a acompanhar um camarão com caldo de bergmota e gengibre (segunda foto). Com a particularidade de o gin vir servido numa chávena de chá com uma saqueta de begamota e cardamomo e a água tónica chegar num elegante bule.

O prato principal é dourada rosa, bivalves fumados, carpaccio de Daikon, funcho e kumquat. O gin chega-nos com  copo fumado (perfumado) com tomilho limão. Num segundo momento juntamos-lhe uma rodela desidratada de kumquat, para percebermos como a presença de um novo elemento altera a percepção que temos do gin. A sobremesa é mais um prato lindissimo, que acompanha a preocupação estética sempre presente no Varanda do Ritz. A autoria é de Fabian Nguyen, o chefe pasteleiro que junta os morangos do Ribatejo com chá verde e ruibardo, e uma esferificação de morango com gin (primeira foto, no início do texto).

O menu gínico acontece apenas amanhã à noite (sábado, dia 27, às 21h) e tem o preço de 72 euros.

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