Parabéns ao Noma (e agora, Japão)! E parabéns ao Vila Joya!

Já em todo o lado se disse que foi uma surpresa o regresso do Noma ao primeiro lugar da lista dos The World’s 50 Best Restaurants – e basta ver as fotos que mostram o chefe do restaurante de Copenhaga, René Redzepi, no momento do anúncio, segunda-feira à noite, numa cerimónia em Londres, para acreditar que foi realmente uma surpresa a substituição no primeiro lugar do espanhol El Celler de Can Roca pelo Noma.

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(Na foto: a equipa do Vila Joya, no Algarve – agora o 22º melhor do mundo, com os chefes Dieter Koschina e Matteo Ferrantino sentados nas cadeiras à esquerda)

Não quero, portanto, aqui repetir o que nas últimas horas todos escreveram. Talvez seja por ter regressado há pouco do Japão, mas estou particularmente sensível a tudo o que é gastronomia japonesa, por isso aproveito a vitória do Noma para lembrar uma coisa: Redzepi e os seus rapazes estão a caminho do Japão. A mudança (não, não é definitiva) vai acontecer em 2015 e durar dois meses, segundo anunciou o Noma recentemente no seu site.

A equipa toda vai instalar-se no restaurante Kikunoi, um três estrelas Michelin em Kyoto. Não vão para mostrar o que fazem na Dinamarca, com os produtos dinamarqueses, mas sim para aprender. E é isto que acho fantástico (e se calhar é por coisas como esta que o Noma é o melhor do mundo): Redzepi está cheio de curiosidade sobre a comida japonesa; quer – e pode – mudar-se para o Japão. Portanto, vai. É este espírito de busca que faz a diferença entre um restaurante bom e um excepcional. Não parar, não repetir, ir atrás do que nos desperta o espírito. Redzepi diz que não leva produtos mas vai aplicar a filosofia do Noma aos produtos japoneses.

Na mensagem no site, o chefe afirma que só em Junho poderá dar mais pormenores sobre o projecto, mas explica que tudo partiu de um convite do chefe Murata, do Kikunoi (Redzepi diz que vai para Tóquio, onde existe o Akasaka Kikunoi, e não para Kyoto). Boa sorte, por isso, para o Noma turning japanese.

Já agora, uma pergunta: porque é que só há dois japoneses – o Narisawa, e o Nihonryori RyuGin, ambos em Tóquio –  entre os 50 melhores do mundo? Ainda para mais sabendo nós que o Japão está cheio de estrelas Michelin.

E, por último, parabéns especiais para Leonardo Pereira, o chefe português que trabalha no Noma, e que esteve recentemente em Portugal para participar no Sangue na Guelra, em cujo simpósio falou da relação do seu restaurante com os produtos e os produtores locais.

Quanto à (também surpreendente) subida meteórica do português Vila Joya, de Dieter Koschina e Matteo Ferrantino – de 37º para 22º lugar – só posso voltar a dizer o que já tinha dito por ocasião do último festival organizado pelo VJ: Portugal tem que saber aproveitar o facto de ter um restaurante entre os 25 melhores do mundo, perceber que isso se deve muito ao festival, e que este é uma oportunidade para mostrar outras coisas do país, e em particular os produtos portugueses, aos melhores chefes do planeta e a todos os que vêm nessa altura ao Algarve.

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