50 Melhores. E a França?

Hoje à noite ficamos a saber se o Celler de Can Roca, dos três irmãos Roca, em Girona, continua no primeiro lugar da lista dos 5o Melhores Restaurantes do Mundo ou se será destronado. A cerimónia realiza-se em Londres, a partir das 20h45, e pode ser seguida em directo através do site do The World 50 Best Restaurants.

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(Na foto: Os três irmãos Roca, do El Celler de Can Roca, em Girona, actual número 1 mundial. Créditos: David Ruano. El Celler de Can Roca)

Neste momento, o segundo lugar pertence ao Noma, de René Redzepi, em Copenhaga, e o terceiro à Osteria Francescana, de Massimo Bottura, em Modela.

Ontem a France Presse lembrava que esta é uma lista (cada vez mais influente, sublinhe-se) que irrita particularmente os franceses, que nunca conseguiram ter um restaurante entre os dez primeiros lugares do topo – uma realidade particularmente humilhante para um país cuja cozinha é considerada muitas vezes a melhor do mundo e citada como referência por chefes dos mais diferentes pontos do planeta. E no entanto, o primeiro restaurante francês a aparecer entre os 50 Melhores é o L’Arpége, de Alain Passard, que ocupa o 16º lugar.

E o que dizem os franceses? Segundo a AFP, dizem que o W50Best, uma iniciativa da revista britânica Restaurant, está nas mãos da indústria agro-alimentar e que o método utilizado levanta dúvidas e é pouco rigoroso. Andrea Petrini, responsável do W50Best em França, responde que esta é o único país a queixar-se do sistema – a escolha é feita por 900 chefes, críticos gastronómicos e outras figuras ligadas à gastronomia, que votam cada um em sete restaurantes  (sendo três deles fora do seu país se origem), nos quais tenham comido nos 18 meses anteriores.

Não é o Guia Michelin, no qual inspectores anónimos visitam os restaurantes várias vezes para os classificarem, mas convenhamos que nem tudo tem que ser o Guia Michelin, e que há outros sistemas de classificação, com outros critérios e que permitem outros pontos de vista – considera-se geralmente que o W50Best tem um olhar mais descontraído relativamente aos restaurantes, privilegiando mais a inovação e o experimentalismo do que a solidez e classicismo que se associa muitas vezes ao Michelin.

Petrini responde, portanto, uma coisa que não deve agradar de todo aos proprietários de restaurantes franceses: se estes não estão nos primeiros lugares é porque não tiveram votos suficientes para isso. Uma questão que remete para o eterno debate sobre se a cozinha francesa está ou não “ultrapassada” e pouco sintonizada com o “ar do tempo”.

O facto é que Michelin e W50Best são duas classificações diferentes, sendo a segunda, de acordo com alguns chefes ouvidos pela AFP (e parece-me que com razão), mais um barómetro das tendências actuais, que nos permite perceber a direcção para onde estão a ir as cozinhas do mundo (e tem o mérito de chamar a atenção para zonas para nós mais desconhecidas, com sub-classificações como Os Melhores da Ásia ou os Melhores da América Latina).

Seja como for, são divertidos, são uma festa (é preciso reconhecer que os organizadores sabem transformar tudo isto num acontecimento) e por isso são aguardados com cada vez maior ansiedade a cada ano que passa. Só vai ser preciso esperar até hoje à noite. E, já agora, no que a Portugal diz respeito, estar a atento ao algarvio Vila Joya, de Dieter Koschina, que ocupa o 37º lugar (sendo que em 2012 estava no 45º). Irá subir?

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