Go En, o sabor a algas do novo chá Camélia

Provar um chá dos Chá Camélia implica todo um ritual.

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Para a apresentação do seu mais recente chá, o Go En, Nina Gruntkowski, alemã a viver em Portugal e apaixonada por chá (casada com o produtor de vinhos do Douro Dirk Niepoort) convidou amigos e jornalistas para uma sessão que incluía música, um filme sobre a produção do chá no Japão, a prova do chá, claro, e ainda um pão de ló para acompanhar. Outro detalhe muito importante nestes chás são as lindissimas taças de cerâmica em que são servidos (e que podem ser compradas com eles). É uma experiência para viver com todos os sentidos, como diz Nina.

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O Go En é um chá surpreendente. Tem um forte sabor a algas, refrescante, que se prolonga na boca. Para Nina e os dois alemães que partilham esta aventura,  Tobias Roesch e Dietmar Segl, foi também uma descoberta recente. Na realidade, este é um tipo de chá, da variedade Oku Midori, que praticamente tinha deixado de se produzir no Japão, não tendo resistido aos avanços da indústria.

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Mas numa conversa com o casal Morimoto, que produz chá verde no Sul do Japão, e com quem Nina, Tobias e Dietmar trabalham, falou-de deste tesouro desaparecido e surgiu a ideia de o plantar de novo. É um chá que exige cuidados muito especiais. As folhas são colocadas à sombra antes de serem colhidas, mas ainda mais complexa é a fase seguinte. O Go En é tratado com um método tradicional, hoje já muito raro, em que é necessário utilizar uma máquina com um tambor forrado a bambu. É isso que explica que, ao contrário dos outros chás verdes, as folhas deste sejam enroladas, e que o chá ganhe notas aromáticas particulares. Delicadissimo, é preciso ter muito cuidado com a temperatura da água usada. “Quanto mais fina a qualidade do chá mais fria deve ser a água”, explica Nina, que aconselha a usar neste caso os 55 graus.

Go En não é o nome tradicional deste chá.

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Ele foi assim baptizado porque o termo Go En significa algo como “acaso” ou “encadeamento de acontecimentos”, e foi isso que – desde o momento em que, depois de um dia de trabalho na colheita do chá nos campos dos Morimoto, Tobias e Dietmar arriscaram a pergunta “seria possível fazê-lo hoje como faziam há 30 anos?” – levou a que, ao fim de tanto tempo, este chá voltasse a existir, e que nós pudessemos em Lisboa, numa tarde de sábado, descobrir o seu sabor “rendondo e límpido”, como o descreve Nina.

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