Joan Roca, o “melhor do mundo” chega a Portugal

Começou ontem o Festival Internacional Gourmet do Vila Joya, no Algarve, que, no meio da lista impressionante de mais de 40 chefes de todo o mundo, recebe, já no domingo, Joan Roca (ao centro na foto, entre os dois irmãos e sócios), do El Celler de Can Roca (Girona, Catalunha) actualmente o primeiro na lista dos melhores restaurantes do mundo, da revista Restaurant. Vou entrevistá-lo no domingo, e em breve poderão ler a entrevista na Fugas.

rocas

Sobre o ambicioso programa do festival este ano, e sobre os (igualmente ambiciosos) planos para o futuro, já contei tudo aqui.

Mas deixo também abaixo um texto que publiquei na revista 2 e que questiona o facto de Portugal não estar a tirar o partido que poderia tirar deste festival e da presença de chefes e jornalistas estrangeiros (o que, aliás, é confirmado pelos organizadores no texto para o qual acabo de deixar um link). Como é que se poderia potenciar tudo isto – se não nesta edição, pelo menos nas próximas? Acho que valia a pena discutir isto.

Aqui fica o texto:

“Há muitos modelos de festivais gastronómicos. Os totalmente populares, como o Festival das Sopas, dos Cogumelos ou da Castanha, uma festa aberta a todos, muitas vezes com animação musical e que contribui para a divulgação de um produto ou uma região; os que, tendo entrada paga, fazem por esse processo alguma selecção e que envolvem chefs de nível, aproximando a alta cozinha de um público mais amplo, como o Peixe em Lisboa; os que servem para mostrar o que de mais inovador se está a fazer e se dirigem sobretudo a especialistas e profissionais, como o Madrid Fusión; os que misturam conceitos, tendo barraquinhas de petiscos, e, ao mesmo tempo, conferências e demonstrações de grandes chefs, como o Mistura, no Peru; os que querem estar na vanguarda do pensamento gastronómico, romper barreiras e lançar provocações, como o MAD, na Dinamarca.

E há o Festival Internacional Gourmet, no Vila Joya, Algarve (que este ano acontece entre 7 e 17 de Novembro). O modelo é o do festival ultraexclusivo, no qual os jantares custam entre 350 e 400 euros, e que reúne um impressionante número de estrelas Michelin. São, evidentemente, modelos muito diferentes. No Vila Joya, estamos no universo da melhor cozinha que se faz no mundo e, obviamente, num mercado de luxo ao qual muito poucos têm acesso. A questão é: o que ganha o país com isso?

Um dos objectivos declarados do festival é “pôr Portugal no mapa internacional gourmet, como um destino para quem procura cozinha de alta qualidade”, explica um dos responsáveis, Gebhard Schachermayer, no luxuoso suplemento em inglês que o festival editou e que foi distribuído com o Financial Times. Com duas estrelas Michelin e ocupando o 37.º lugar na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo da revista Restaurant, ninguém pode dizer que o Vila Joya e o seu chef, o austríaco Dieter Koschina, anfitrião do festival (e, cada vez mais, o subchef Matteo Ferrantino) não estão a contribuir para esse objectivo.

O festival é um momento importante desse trabalho, permitindo que as dezenas de chefes mundiais de primeiro nível que vêm a Portugal conheçam os produtos portugueses (com destaque para o peixe, como não podia deixar de ser no Algarve) e o trabalho dos seus colegas portugueses, que têm uma noite dedicada a eles. Se houver dúvidas sobre a importância de tudo isto, basta espreitar o pequeno texto de apresentação do Vila Joya no site do World’s 50 Best, onde o restaurante é apresentado como “uma montra do poder de atracção dos excelentes peixes e mariscos portugueses”. E o país, sabe aproveitar isso?”.

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