A moda das Moules et Frites

Ainda há relativamente pouco tempo fiz um post a falar das moules et frites, que são, como sabemos, mexilhões com batatas fritas – prato ícone da Bélgica.

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Agora, por coincidência, ou talvez não (as modas não são uma coincidência) volto ao assunto por causa da abertura de um novo restaurante, em Lisboa, todo pensado à volta das moules et frites. O Moules & Beer, que abriu na Rua 4 da Infantaria, em Campo de Ourique, é o irmão recém-nascido de um outro espaço, não muito mais velho, que existe em Cascais, o Moules & Gin (na Rua Nova da Alfarrobeira nº14). Se o de Cascais adere a outra moda, que é a do gin, o de Campo de Ourique opta pela cerveja (portuguesa, belga, holandesa ou alemã). De resto, a ementa é a mesma: as estrelas são os mexilhões, com vários molhos diferentes, e há ainda um naco de lombo fatiado, acompanhado por molho de mostarda e manteiga de ervas.

O projecto é de dois amigos, Vasco Simões de Almeida e João Garcia, que, não sendo belgas, comeram muitas vezes moules et frites nas suas viagens, sobretudo em França, e acreditaram que esta era uma boa aposta. Tentaram encontrar fornecedores de mexilhão em Portugal, mas concluíram que, para terem um produto com consistência, que chegasse na altura certa e que não tivesse grandes oscilações de tamanho ou qualidade, teriam que o comprar em Vigo, na Galiza. Em Portugal, dizem, para além de haver muitas restrições na apanha, mesmo o de aquacultura não tem a consistência que desejavam, podendo variar muito, sobretudo de tamanho. E num restaurante que serve quase exclusivamente mexilhões, estes têm que ser de qualidade irrepreensível.

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O ambiente é totalmente informal – aliás como pede um prato como os mexilhões com batatas fritas. Como o projecto está ainda em fase de arranque, não quiseram arriscar demasiado num espaço muito central (onde as rendas são frequentemente incomportáveis), e por isso escolheram uma sala grande e luminosa, na parte de trás de uma loja Oil & Vinegar. Depois, o trabalho foi essencialmente o de acertar na escolha e na fritura das batatas (que vêm acompanhadas por um pouco de maionese), e desenvolver uma variedade de molhos para os mexilhões.

A lista inclui receitas clássicas, como as Moules Marinière, as Ao Natural, uma variação portuguesa que são as Moules à Bulhão Pato (coentros, azeite e alho), as Mediterrânicas (molho de tomate e ervas aromáticas), as Thai (gengibre e  lemongrass), as Chilli (molho picante de tomate e malagueta), as Pesto (molho de manjericão, pinhões e queijo parmesão), Curry (caril e manga), e outras. O prato de mexilhões e batatas fritas custa entre 8,5 euros e 9 euros. Tudo depende dos gostos de cada um, como é evidente, mas eu gostei das picantes, e achei surpreendente o molho tailandês. Já o pesto parece-me uma combinação menos bem conseguida, com o sabor do pesto a dominar demasiado o prato. Quem quiser, pode ainda substituir as batatas fritas por massa (uma novidade de Campo de Ourique, que não foi testada em Cascais). Mas, claro, perde uma componente essencial das moules et frites. 

Este é um prato que nasceu nos bares mais populares da Bélgica (o assunto continua a ser foco de disputa entre franceses e belgas, mas parece existir um manuscrito flamengo do século XVIII que fala em frites, segundo o qual durante um Inverno com falta de peixe, a população terá começado a fritar batatas em forma de pequenos peixes). Não se sabe se a história é verdadeira, mas, segundo a revista Saveur, o facto é que os camponeses belgas estiveram entre os primeiros da Europa a cultivar batatas, quando estas chegaram do Novo Mundo, no século XVII. Mexilhões também não faltavam, por isso foi fácil juntar uns aos outros.  E com o tempo, o que começou por ser um prato popular, ganhou fama, e hoje subiu de estatuto, tendo também os belgas começado a introduzir inovações nas receitas tradicionais.

4 comentários a A moda das Moules et Frites

  1. Moules e Frites. Como Bruxelense de gêma, um dos meus pratos preferidos é naturalmente este. Só falta um pequeno (grande pormenor): o acompanhamente ideal é um Branco seco (na Belgica é um seco da Moselle ou da Alsácia). Aqui aconselho um branco seco da península de Setubal Estava habituado na Belgica às moules da Holanda, mas depois de descubrir as das Rias Baixas não há nada melhor. Parabens e muito êxito. René Coomans.

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