O sueco Jörgen Lloyd tem um rosto redondo e o cabelo loiro apanhado atrás. Ouvi-lo descrever, com enorme entusiasmo, como criou o prato que nos está a apresentar é um prazer.
É ele o responsável, juntamente com Ljubomir Stanisic, pelo menu “100 Maneiras de Degustar a Suécia” que estará disponível para quem quiser experimentar a nova cozinha nórdica a partir de hoje, dia 19 e até o próximo dia 28 no Bistro 100 Maneiras. A iniciativa é da embaixada da Suécia e destina-se a promover a cultura e também as marcas suecas em Portugal (participam também a IKEA, a Oriflame e Absolute Vodka) antes da visita do Presidente da República à Suécia no início de Outubro.
No final, numa breve conversa, Jörgen – que vem do restaurante Mrs. Brown, em Malmö, na Suécia, explicou que a sua cozinha está na linha da nova cozinha nórdica, mas que ele tenta fazê-la mais barata para que possa ser acessível a mais gente. Um exemplo é um dos aperitivos que serviu: uma base redonda de um pão negro feito com sementes e sangue de boi, sobre o qual colocou uma rodela que deveria ser de trufa, mas que ele faz criando uma base fermentada com cogumelos portobello e creme de trufas. “Com o processo de fermentação, o sabor da trufa invade todo o cogumelo e no final parece trufa”. O segundo aperitivo era composto por ovas de “um peixe que existe no Norte da Suécia”, cebola caramelizada e uma salada de cebolas portuguesas cruas.
Apesar de ter usado alguns ingredientes que arranjou em Portugal, os pratos têm a frescura dos ingredientes pouco cozinhados (por vezes nada mesmo) e pouco temperados característica da comida nórdica. Não me refiro apenas ao facto de os ingredientes serem frescos – é uma espécie de nitidez dos sabores que está associada à nova cozinha nórdicas.
O primeiro prato foi Vieiras do Atlântico mergulhadas em manteiga alourada, com salada de pepino, agrião e nata fumada (produtos lácteos e fumados são outra das marcas desta cozinha). Jörgen explicou que a manteiga é muito aquecida, e é ela que cozinha ligeiramente as vieiras quando é colocada sobre elas. A seguir veio Tártato com beterraba, tutano e flor de sabugueiro. Se o primeiro prato sabia a verde, este, em contraste total, sabia a vermelho. Para o compreender, disse o chefe sueco, precisávamos de regressar à Idade da Pedra. E avisou que nele usava umas bagas de sabugueiro que eram tidas como venenosas. Mas não devíamos preocupar-nos, disse, porque para deixarem de o ser bastava serem cozinhadas cinco minutos, e estas, garantiu, tinham-no sido dez.
Por fim, os dois chefes apresentaram Barriga de leitão com lavagante, tomate glaciado e creme de tomilho e aneto. Como sobremesa, um creme simples feito de gemas de ovos, açúcar e nata, e por cima, bagas de arando geladas, e um crumble feito com umas bolachas nórdicas chamadas “dreams” – ao resultado, Jörgen chama “broken dreams”.



Deve ter sido uma óptima experiência, tendo em conta a cozinha, que é diferente, e a qualidade dos 100 maneiras.
Falo pela experiência no restaurante: http://lesbonsvivantsblog.blogspot.pt/2013/06/restaurante-100-maneiras.html
Raquel