Mexilhões e vinhos da Lavradores de Feitoria no BeBel Bistro

A minha ideia da cozinha belga é, confesso, muito limitada – resume-se a uma viagem a Bruxelas, há muitos anos, da qual me ficou apenas a memória de nos terem servido várias vezes endívias com um molho de natas sem sabor. Zero em termos de conhecimento, portanto.

Moules et Frites

 

Por isso gostei muito de um recente almoço no BeBel Bistro, o restaurante da belga Nele Duportail, em São Bento, mesmo em frente da Assembleia da República.

O pretexto foi a apresentação de um novo vinho da Lavradores de Feitoria, o rosé 2012. O espaço é muito bonito, e Nele tinha organizado uma mesa em U para que pudessemos vê-la cozinhar enquanto íamos provando os três pratos de mexilhões e os vinhos. Começámos com Moules Marinière, o molho mais leve dos três, feito com manteiga, cebola, louro, aipo, tomilho, vinho branco e pimenta preta, muito bem acompanhado pelo Três Bagos branco 2011.

De seguida, Nele (que veio para Portugal ainda adolescente e que já viveu cá mais tempo do que aquele que viveu na Bélgica) apresentou o molho que ela própria criou para os mexilhões. Chamou-lhe apenas Moules et Frites à Nele Duportail (óptimas batatas fritas caseiras, para comer com maionese, uma tentação). Esta versão leva mais ingredientes: manteiga, cebola, louro, alho com casca, tomate, oregãos, natas e erva doce ou Ricardi. Foi aqui que experimentámos o Lavradores de Feitoria rosé 2012, mas parece ter sido opinião geral que a primeira combinação resultava melhor.

Moules a la Provencale

A terceira versão de molho para mexilhões é outro clássico, o Moules à la Provençale, com sabores muito mais fortes: bacon (também uma inovação de Nele que não faz parte da receita tradicional), pimento vermelho, malaguetas, curgete, tomate seco, molho de tomate, e pistou feito com manjericão, mas sem os pinhões usados para o pesto). Para lhe fazer frente (tarefa difícil dada a intensidade de sabores do prato) foi servido um Três Bagos Sauvignon Blanc branco 2012. E para terminar uma tarte tatin.

Posso dizer que, apesar de a experiência ter sido apenas mexilhões, Nele e o BeBel Bistro iniciaram o meu processo de reconciliação com a cozinha belga. Este é, no entanto, apenas um restaurante “de inspiração belga”, e apesar dos mexilhões se terem tornado um ícone da casa (são servidos às terças-feiras) há muitas outras coisas, e não necessariamente belgas, no BeBel Bistro.

A boa notícia é que esta experiência de cruzamento de diferentes pratos de mexilhão com os vinhos da Lavradores de Feitoria vai repetir-se no próximo dia 19 pelas 18h30. O preço é de 25 euros e é necessário fazer reserva através dos números 213952639 ou 96727 1444 (máximo 17 pessoas).

A outra boa notícia é que durante o festival TODOS (que decorre de 12 a 15 na zona de São Bento e Poço dos Negros) o BeBel Bistro vai servir um menu multicultural, com pratos franceses, belgas, mas também africanos e indianos (estes não são feitos por Nele, mas vêm de outros cozinheiros do bairro). Mais uma oportunidade para ficar a conhecer este restaurante, conversar com Nele, e, aproveitar o resto da programação do TODOS.

5 comentários a Mexilhões e vinhos da Lavradores de Feitoria no BeBel Bistro

  1. Pingback: A moda das Moules et Frites – Mais Olhos Que Barriga

  2. Agora que já comi, cuspo. Para que serve este texto? Publicidade ao vinho bebido, ao restaurante onde o vinho foi bebido ou nota de rodapé às andanças da alminha que bebeu aquele vinho e “degustou” aqueles mexilhões?

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    • Caro José,

      Este é o espaço de um blogue, onde os textos podem ser apenas breves impressões. No caso foi uma chamada de atenção para uma prova de vinho e comida que ia realizar-se e da qual dei notícia a quem pudesse estar interessado em ir. Parece-me que quando estamos rodeados por tantos projectos de fraca qualidade é positivo reconhecer o esforço de quem trabalha para apresentar algo diferente e bom. O objectivo é apenas esse. E este é um espaço de pequenos textos e impressões, sim. Os trabalhos jornalisticos que faço são publicados no PÚBLICO em papel ou no site do jornal.

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  3. Cara Alexandra, da próxima vez que vá à Bélgica, aconselho uma sopa de cerveja, maatjes (arenque curtido), uma carbonnade com stoemp, um waterzooi, E, já queb agora é moda falar no “melhor do mundo”, as “frites” com maionese nos muitos quiosques de rua de Bruxelas.

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    • Caro João, agradeço as sugestões. A minha viagem já tem muitos anos e não foi gastronómica (nem eu estava nessa época atenta ao assunto) – fui a vários restaurantes mas nenhum escolhido por mim, e admito que tenha tido azar, mas de facto a memória que me ficou foi a que descrevi. Acredito que quando lá voltar terei uma experiência melhor. Obrigada.

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