O brasileiro Thiago Castanho, de Belém do Pará, vai ser o primeiro chefe a deslocar-se a Portugal para a parte gastronómica das comemorações do Ano do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil.
Foto de Thiago Castanho retirada daqui
Vai estar no Belcanto, a cozinhar com José Avillez, nos dias 25 e 26 de Setembro. É a oportunidade para conhecer a cozinha desta jovem estrela (tem apenas 24 anos) que está familiarizado com Portugal porque estagiou com Vítor Sobral no restaurante Terreiro do Paço.
Não sei o que Thiago Castanho vai fazer em Lisboa em colaboração com Avillez, mas no seu restaurante, o Remanso do Bosque (que se junta ao restaurante da família, o Remanso do Peixe), em Belém, usa habitualmente ingredientes tradicionais da Amazónia e põe-se a fazer experiências. Conta um artigo da revista Época que, por exemplo, ele “fez da pele do peixe pirarucu uma refinada torrada, servida como entrada” e que “foram semanas de experiências até Castanho descobrir que o ponto crocante ideal é atingido ao desidratar a pele e, só então, fritar”.
Faz incursões ao mercado Ver-o-Peso, em Belém, e volta carregado de ingredientes extraordinários com os quais vai experimentando. Outro exemplo é o da semente de cumaru, “com aroma que lembra baunilha, cravo e amêndoa-amarga”, e que ele transformou numa espécie de caramelo para um bolo de tapioca.
Da leitura da descrição de uma ida ao Remanso do Peixe feita por Constance Escobar na sua página na Internet, ficou-me na memória uma sobremesa de queijo de búfalo de Marajó, feito com leite cru e depois cozido e uma massa de caranguejo com farinha de suruí (mandioca branca não fermentada).
Deste rapaz que começou a trabalhar distribuindo pizzas para ajudar o pai, Alex Atala, do D.O.M de São Paulo, disse que é “um guerreiro amazónico, mas com sensibilidade”. Enfim… aguardamos.
