No meio da crise e da quebra de vendas de vários produtos, há um que parece resistir a tudo: o iorgurte grego. Dados recentes da empresa de estudos de mercado Kantar WorldPanel indicam uma queda muito acentuada das vendas de iogurtes e sobremesas lácteas em Portugal, com a excepção dos imparáveis gregos (cresceram 136% em volume).
Mas, por curiosos que sejam os números portugueses, não têm qualquer comparação com os americanos. Nos Estados Unidos, o consumo de iogurtes gregos já é estudado como um autêntico fenómeno. Segundo o The New Republic, nos últimos cinco anos a escalada foi “meteórica” (o Wall Street Journal fala em “astronómica”) e as duas principais marcas, a Chobani e a Farge, têm hoje respectivamente 9 e 4% do total do mercado de iogurtes no país.
Isto levanta várias questões interessantes. Uma delas é analisada por Tom Roston no site da Food Republic: poderá o iogurte grego salvar a economia grega? A resposta curta – e evidente – é não. Até porque quem está a ganhar milhões com a popularidade deste iogurte nos EUA é um turco, Hamdi Ulukaya, o fundador da Chobani. Ou seja, não se trata aqui de um produto com denominação de origem controlada, dado que o iogurte grego pode ser feito em qualquer sítio.
E o que explica, afinal, esta ascensão meteórica (houve até recentemente uma Cimeira do Iogurte no estado de Nova Iorque, devido à importância que o produto está a ter para a economia e os produtores locais)? Socorro-me outra vez do artigo de Margy Slaterry no The New Republic, no qual ela ouve quatro antropólogos e professores de História, que lhe explicam que a palavra “grego” (mesmo que o iogurte, mais espesso e cremoso, não o seja) tem um peso na escolha dos americanos, que o associam a uma comida simples, pura, natural, ligada à dieta mediterrânica e à imagem de um país de camponeses saudáveis (a crise não entra neste quadro).
Apesar de, sublinha um dos especialistas, este tipo de iogurte ser mais característico da zona dos Balcãs, sobretudo da Bulgária, a imagem da Europa de Leste não vende tão bem – os americanos associam a cozinha desta região a alimentos altamente calóricos, ao contrário do que (com razão ou sem ela) acontece com a cozinha mediterrânica.
O que esta história mostra (mais uma vez) é que o imaginário tem uma enorme influência nas nossas opções alimentares. E que a Grécia dos templos antigos, casas brancas e ruas estreitas vende muito bem.
(texto publicado na revista 2 do PÚBLICO no dia 2 de Setembro)

Aqui em terras brasileiras ocorre o mesmo fenomeno. Apesar das quedas nas vendas de diversos derivados lacteos, a Nestle obteve aumentos significativos nas vendas do seu iogurte Grego. Parece-me que os consumidores não estão se importando com gorduras, açucares e calorias, o importante é o sabor e a textura.
Modinha vinda dos EUA. Lá existem trocentas marcas que fazem o Greek Iogurt.
O próximo passo para se diferenciar dos concorrentes é colocar a palavra ORGÂNICO na embalagem.
Achei o iogurte novo da nestle “grego” exageradamente doce. Natural seria muito melhor!!!
Não conheço as marcas vendidas nos EUA, mas este iogurte Danone da imagem (que está longe se ser grego), é bem agradável, por ser cremoso e doce. Mas quem ler a tabela nutricional e ver as calorias, gorduras e açúcares que cada um contem, vai ficar de cabelos em pé. Sem dúvida o imaginário é fundamental na venda de produtos alimentares.
Pois é isso mesmo de que nos alimentamos à mesa. De imaginário, algum dele construído com base em memórias, que no fundo não é mais que um resultado cultural. Este caso do iogurte ilustra bem aquilo que vende.