Adoro coentros. Ponho generosas quantidades de coentros nas saladas, fico encantada quando percebo que a sopa tem coentros, e quando estou no Alentejo não me canso de comer tudo e mais alguma coisa com coentros.
Sempre me custou aceitar a ideia de que há pessoas que não gostam de coentros, mas aparentemente há bases científicas para o facto, e, para quem os detesta (há uma página na Internet chamada I Hate Cilantro e outras que defendem que as folhinhas verdes nem sequer são comestíveis), os coentros sabem… a sabão.
Recentemente, na Fugas, Miguel Esteves Cardoso falava da misteriosa fronteira que divide Portugal em dois, o país da salsa e o país dos coentros, e citava, a propósito, Harold McGee.
Harold McGee escreve crónicas sobre comida e ciência no The New York Times e tem um texto intitulado “Pessoas que odeiam coentros, a culpa não é vossa”, onde explica que para muita gente o cheiro e o sabor dos coentros são verdadeiramente intoleráveis, enquanto outros os usam em grandes quantidades (“os portugueses põem mãos cheias dele nas sopas”, escreve). Chineses, mexicanos e indianos são também entusiásticos utilizadores.
E depois entra numa explicação científica, segundo a qual o aroma dos coentros inclui aldeídos, compostos químicos orgânicos que têm um odor que tanto pode ser desagradável como ser próximo do do sabão (de uma forma também pouco agradável, ao que parece). O cérebro de quem odeia coentros responde ao sabor destes com um mecanismo imediato de defesa, como se tivesse detectado algo venenoso.
Estudos científicos indicam que, se tivermos em conta a raça, é entre os hispânicos e os povos do Médio Oriente que se encontram as percentagens mais baixas de pessoas que odeiam coentros. McGee admite que quem se habitua a comê-los desde a infância tenderá a ser menos intolerante ao seu sabor e cheiro – e possivelmente isto inclui os portugueses.
Josh Kurz é autor de outro texto disponível na Internet no qual relata a sua experiência pessoal. Assume-se como alguém que odeia coentros, e por causa disso submeteu-se a um teste em que estes são decompostos, sendo cada componente libertado separadamente. A certa altura, Kurz identifica “o malvado cheiro”. E são os aldeídos insaturados. Quando a máquina liberta o odor que quem gosta de coentros identifica como bom, Kurz não sente absolutamente nada.
Perante isto só nos resta uma coisa: perceber que não vale a pena insistir com os outros para que gostem de coentros. Se eles não gostam, como diz Harold McGee, não têm culpa disso.

Eu tb pertenço ao clube de fãs dos coentros.
Às mãos cheias nas saladas, sopas e tudo o mais.
É mesmo curiosa essa divisão aromática Norte/Sul, já cheguei mesmo a ouvir no Porto que os coentros sabem a urina de gato! Pois então, está explicado.
odeio coentros. consigo comê-los misturados de forma relativamente tranquila, mas quando os trinco fica-me aquele sabor horrível na boca, e a textura também é péssima. não deixo de comer as coisas por elas, porque gosto do sabor que eles deixam na comida. não gosto é dos trincar…
mas enfim pior ainda que os coentros está a cebola.
Eu comecei muito tarde a gostar dos coentras.
Sou da extremidade norte de Portugal (Monção) onde se usa muito a salsa. Por norma achava que a salsa é que era bom pois sentia que dos coentros se desprendia um estranho odor a carrapato, aquele bicho rastejante achatador, de cor vede (vulgo bicho sapateiro).
Experimentei os coentros e Èvora e fiquei rendida.
Também adoro coentros e por mim colocava-os em quase todas as comidas, só não o faço porque o senhor que habita comigo é dos tais que não tem culpa de não gostar desta maravilhosa erva aromática. Mas ainda assim sou uma tardia defensora (daí o nome do blogue ser Coentros&Rabanetes) dos coentros: a minha mãe pertence ao Portugal da salsa e só muito tarde na minha alimentação consegui convencer as mãos que me alimentavam que os coentros é que eram bons e que eu comeria muito melhor se a comida tivesse coentros. E assim foi…