Já sabemos que este tipo de coisas vale o que vale, mas neste caso vale bastante: a revista Newsweek pediu a 53 chefes de todo o mundo para escolherem os seus sítios preferidos para comer. O resultado é uma lista dos 101 melhores sítios do mundo para ter uma boa refeição. E nenhum fica em Portugal.
Ilustração Sean McCabe/Newsweek
Por muito provinciano que possa ser este exercício de ir procurar se há alguma coisa portuguesa nas listas internacionais, temos que reconhecer que é praticamente irresistível.
Claro que uma escolha destas é determinada em primeiro lugar por uma escolha prévia: a dos 53 chefes. É provavelmente porque há um chefe russo, Alexei Zimin, do Ragout Café de Moscovo, que aparece nos 101 o Café by Windmill em Bugrovo, perto de Mikhailovskoye. Imagino que poucos mais o conhecerão.
A lista tem de tudo, desde os incontornáveis como os espanhóis El Celler de Can Roca e o Mugaritz, Pierre Gagnaire em Paris ou o D.O.M em São Paulo. Mas há também, por exemplo, a Vivine’s Kitchen nas Ilhas Caimão, que Graham Elliot descreve assim: “Jantámos no que parecia uma garagem ligada à casa de Vivine Watler, com a nossa mesa a pouca distância do pombal. Vivine tomou nota pessoalmente do que queríamos, foi para a cozinha, e fez uma extraordinária comida das Caraíbas”.
Heather Terhune, do Sable Kitchen & bar de Chicago, recomenda o Porcheta Food Truck em Cortona, Itália – “foi aí que descobri o incrível potencial da comida de rua italiana”. E Jamie Oliver recorda uma senhora com apenas um dente que vende polenta, “como se fossem barras de ouro”, nas ruas de Bari. Anthony Bourdain poderia ter-se lembrado das bifanas portuguesas (ou, na verdade, de milhares de outros sítios no mundo) mas optou pelo Asador Etxebarri em Atxondo, País Basco. Há também quem recomende mercados de rua (note-se que ninguém recomenda um super ou um hipermercado) ou vendedores ambulantes (num deles, em Singapura, o dono ainda usa carvão para fazer a sua sopa de massa picante, que custa apenas dois dólares). É sempre interessante ver o que fica gravado na memória de cada um.

O marketing, funciona bem sempre, exemplo, McDonalds, Coca Cola. O governo espanhol pode pagar viajens, é a sua obrigaçao de “devolver” os impostos dos cidadaos. El Celler e o Asador Etxebarri sao fantásticos com e sem marketing.
A questao é perguntar Thomas McNaughton se o “suborno” do governo espanhol está a “obriga-lo” a falar bem.Anthony Bourdain visita sem cámaras ao seu “pai” Juan Mari Arzak habitualmente en San Sebastian.Ah já me esquecia, Juan Mari Arzak é o “responsável” da “movida” gastronómica espanhola,perguntem-lhe a Ferrán Adriá de El Bulli.Bon Apetit !
Sim, essa tentação é irresistível. Mas, para mim, a principal lição para Portugal deste artigo é o comentário do chef norte-americano Thomas McNaughton sobre o EL CELLER DE CAN ROCA que vem na versão on-line: “I was given a tour by the Spanish government”. De facto, a melhor forma de promover os chefs e restaurantes portugueses não é levá-los ao estrangeiro, é trazer cá os grandes chefs… e levá-los aos nossos melhores restaurantes:
http://mesa-do-chef.blogs.sapo.pt/60849.html