Comida sobre rodas

 É uma história americana, a das food trucks – ou carrinhas de comida. Tudo começou em meados do século XIX e por causa da necessidade de alimentar os homens que transportavam o gado para o Oeste. Conta-se que terá sido Charles Goodnight, um criador de gado, quem primeiro se lembrou de adaptar uma velha carrinha do Exército transformando-a numa cozinha ambulante que podia acompanhar homens e animais nas longas caminhadas.

Mais tarde, as carrinhas de comida generalizaram-se. São geralmente aqueles sítios que estão abertos depois de tudo o resto já ter fechado e onde se podem comer sandes gordurosas e beber cerveja. Mas recentemente, na América, passaram a ser muito mais do que isso. Tornaram-se gourmet, atraíram chefs, competem pelo design mais bonito, são estrelas de concursos televisivos. Esqueçam o gado, o velho Oeste e os feijões. As food trucks estão na moda e os clientes seguem pelo Facebook a localização da sua carrinha favorita.

E chegaram já a Paris. Conta o The New York Times que carrinhas como o Cantine California ou o Le Camion Qui Fume estão a fazer sucesso na capital francesa – são, dizem os parisienses, “très Brooklyn”. A californiana Kristin Frederick ouviu vários conselhos contra a ideia de levar uma food truck para Paris. Disseram-lhe que os franceses nunca comem na rua, nunca comem com as mãos, e que as autoridades nunca dariam autorização. Nada disto se confirmou.

E em Portugal? As roulotes de comida existem. Costumamos vê-las a servir sandes de couratos ao pé dos estádios de futebol em dias de jogo, em feiras ou em alguns locais fixos (mas apenas entre as dez da noite e as seis da manhã). Mas há um problema: não são autorizadas novas roulotes de comida.

Depois de algumas pessoas que têm projectos interessantes me terem contado que tinham pensado em ter uma roulote de comida (com uma oferta que vai muito para além das sandes de couratos) e terem percebido que neste momento não estão a ser atribuídas novas licenças, fui tentar perceber a razão. Perguntei à Câmara Municipal de Lisboa, insisti na pergunta, mas até hoje não obtive qualquer resposta. O site é lacónico: “Actualmente não está prevista a atribuição de licenças para confecção e venda de produtos alimentares em roulote, na via pública.”

Pode haver uma razão válida, mas seria interessante podermos saber qual é. Até porque num país que está em crise e em que os políticos nos dizem todos os dias que devemos ser empreendedores seria bom saber porque é que é tão difícil alguém pôr em prática uma ideia que parece tão simples. 

(texto publicado na revista 2 do PÚBLICO a 8 de Julho 2012)

12 comentários a Comida sobre rodas

  1. Bom dia.

    Qual e onde os melhores sítios para encontrar carrinhas para food truck? Será melhor opção comprar um usada equipada ou comprar carrinha ja com caixa isotérmica e equipa-la mediante a necessidade?

    Responder
    • Bom dia,

      Sou cozinheiro e trabalho na indústria do street food.
      Além de ter o meu próprio projeto também faço outros projetos.
      Gostaria de ajudar e tentar perceber o que pretende fazer.
      Equipamentos que vai precisar, existe algum veiculo pensado por si?
      Quais os produtos que vai vender?

      Posso fazer em Portugal e enviar-lhe para Luanda.
      em relação ao preço, é uma questão de lhe dar um orçamento.

      cumprimentos,

      André Rodrigues
      sptf2015@hotmail.com

      Responder
    • Bom dia,

      Sou cozinheiro e trabalho na indústria do street food.
      Além de ter o meu próprio projeto também faço outros projetos.
      Gostaria de ajudar e tentar perceber o que pretende fazer.
      Equipamentos que vai precisar, existe algum veiculo pensado por si?
      Quais os produtos que vai vender?

      Posso fazer em Portugal e enviar-lhe para Luanda.
      em relação ao preço, é uma questão de lhe dar um orçamento.

      cumprimentos,

      André Rodrigues
      sptf2015@hotmail.com

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