Nem só de especiarias se vive em Marraquexe. Há que comer de vez em quando.
Começamos logo ali pelo souk, junto da praça Jemaa el-Fnaa – um pequeno restaurante em frente às bancas que vendem azeitonas e chás. Não nos atrevemos logo a experimentar as cabeças de borrego. Ficámo-nos pela tanjia, a carne de borrego cozinhada com especiarias num pote fechado – uma especialidade de Marraquexe – acompanhada por saladas.
Outro prato que vale a pena experimentar na cidade é a pastilla (foto em baixo), um folhado estaladiço que representa bem a relação doce-salgado que se encontra muito na cozinha marroquina. Este era de frango (e um pouco seco no interior). Diz-se que o melhor é o de pombo. Por cima, canela e açúcar. O almoço foi num restaurante simpático e moderno, com um pátio interior muito agradável, perdido algures no meio dos souks.
No dia seguinte tivemos os crepes berberes da Fatouma, a nossa cozinheira no excelente Riad 72. Acabados de fazer, com manteiga e mel por cima.
Novo dia, e o regresso à Jemaa el-Fnaa para enfrentar as especialidades mais “duras”. Para abrir o apetite os muito apimentados caracóis – tivemos que escolher um vendedor, o que não é fácil quando somos requisitados por tantos. Mas lá escolhemos, os caracóis estavam bons, e no final bebemos o caldo como é suposto.
E pronto, deixei para o fim a experiência mais radical: a cabeça de borrego, que pode ser comida inteira ou metade. O cozinheiro corta-a ao meio, retira cuidadosamente o interior e serve-o num prato. Pode ser acompanhado por molho da tanjia ou não. Come-se com pão, e a olhar para as cabeças dos outros animais expostas na mesa à nossa frente – com o pormenor de terem a mioleira de fora. Esta também é para comer, claro, mas paga-se à parte.





A cabeça de borrego também se come no Alentejo, com pão ou aquilo que apareça. É barrada com massa de alho e vai ao forno. É um bom petisco.
É verdade, Alberto, experimentei no outro dia em Moura, e gostei. Disseram-me que o melhor eram os olhos – tive algumas dúvidas iniciais, mas tenho que reconhecer que são bons (e não aparecem inteiros no prato, o que é uma vantagem).