O que Anthony Bourdain disse aos jornalistas em Lisboa, depois de uma semana na cidade, já contei hoje no site do Público (e contarei melhor amanhã no P2). Mas queria partilhar aqui com vocês algumas coisas que não incluí nos textos. Uma delas é que, disse ele, “a alma da grande cultura culinária está muitas vezes no que se come na rua”. E às vezes os países não percebem isso. “Nos EUA também tornam difícil a existência de uma comida de rua vibrante, como existe no Sudeste asiático”.
E Bourdain diz “também” porque é o que acontece com a União Europeia — no que diz respeito, por exemplo, aos métodos artesanais de fazer comida. “A UE não tem ajudado” os pescadores, os produtores de queijo, os produtores de vinho de Portugal, disse o autor de Cozinha Confidencial. “Gostaria de ver um recuo em relação a algumas dessas restrições”. E disse mais, para que não restem dúvidas: “Se uma pessoa faz queijo com leite cru, não pasteurizado, e com as mãos nuas, isso é bom. Se você é contra isso, eu sou contra si.” Ficou claro?
Perguntei-lhe (já numa pergunta de corredor, quando subíamos para o terraço do hotel) como se deveria promover a cozinha portuguesa no estrangeiro, e ele deu a sua opinião: mais do que levar os chefes portugueses lá fora para cozinhar em acontecimentos onde às vezes está meia dúzia de pessoas, é melhor trazer chefes estrangeiros, e jornalistas, a Portugal, e pô-los a comer aqui a cozinha portuguesa. A tradicional e a nova. A dos cozinheiros old school (como ele gosta de dizer) e a dos novos chefes. “Isso é algo que me interessa muito”, disse. “Como é que se honra o passado nas tradições culinárias, e como se cria uma cozinha que seja exportável.”
O episódio de No Reservations sobre Lisboa passa em Abril no Travel Channel. E Bourdain (que impressionou pelo elevado nível de profissionalismo e simpatia com que recebeu os jornalistas, respondendo às perguntas, deixando-se fotografar e até dando autógrafos, sem sinal de impaciência) disse-me ainda que está a escrever um novo livro. Ia perguntar-lhe se falaria de Lisboa, mas ele adiantou-se. “É mais um policial”, explicou. Tenho que ir à procura dos outros.



Viva!
Li dois policiais escritos pelo A. Bourdain. Um é o já referido “Um osso na garganta“
e o outro é o “Sarilhos nas caraíbas” ( titulo original “Gone Bamboo”).
Interessantes.
Olá Alexandra,
estou curiosa com o artigo e obviamente com o programa. Penso que irá ser algo bastante positivo. Ele gosta da nossa comida.
O único policial dele que li foi Um Osso na Garganta, onde havia referência ao nosso arroz de marisco.
Um beijinho.
Olá Laranjinha. Eu nunca li nenhum policial dele, mas a Isabel Coutinho tinha-me falado desse — parece que dos quatro é o único que está traduzido em português. Beijinhos.
Tb fiquei surpreendida com a descontração que ele mostrou no video. Gostei muito de ouvi-lo, da forma como falou da saudade e do nosso sentimento de nostalgia, pareceu-me que se interessou verdadeiramente por conhecer. Aguardo com muita curiosidade o programa em Abril e tb o artigo da Alexandra amanhã.
É verdade, Susana, ele foi realmente muito simpático (o que nem sempre é evidente com estrelas de televisão) e sobretudo muito profissional. Como conta o Miguel Pires no Mesa Marcada, a certa altura o Bourdain ouviu-o dizer que tudo isto (fotos, autógrafos, etc.) faz parte do jogo, e concordou — é isso mesmo, faz parte do jogo, e mais vale fazê-lo com boa vontade. Sinal de inteligência, digo eu.
E quando começam uns “mais olhos que barriga” natalícios…? Onde é que se podem descobrir bons doces de Natal? E o melhor Bolo Rei?
Olá Fred. Vou estar atenta. E aceitam-se sugestões de boas descobertas de doces de Natal.
Ontem um magnífico jantar de sushi no Sakana terminou com um excelente bolo-rei “infiltrado” pelos organizadores da festinha. Boa convivência gastronómica.