Alheiras e queijadas (uma visita a Santarém)

Almoço na Feira de Gastronomia de Santarém. Fiquei a saber muito sobre o porco bísaro, em conversa com o Alberto Fernandes, neto do fundador de uma salsicharia de Gimonde, Bragança – a Bísaro. O negócio continua na família e Alberto fala com tanto entusiasmo dos porcos que cria à solta nos campos como das vendas que faz nos hipermercados, ou do convite que tiveram para participar numa feira no Japão. E diz coisas acertadas como esta: “O que levanta problemas é a ambição. Temos que saber os nossos limites”. Isto para explicar que não se pode sacrificar a qualidade à vontade de vender sempre mais, e que se um presunto tiver que esperar três anos então, é esse o tempo que tem que se esperar. Enquanto isso, também se pode fazer dinheiro com outras coisas – por exemplo, as casas de campo tradicionais que alugam a turistas e visitantes em Gimonde.

Quanto a mim, provei uma alheira tradicional oferecida pelo Alberto, e trouxe para casa um butelo (enchido feito exclusivamente com costela, suã, rabos e barbada de porco, condimentado com sal, colorau e alho). E, para acompanhar, um saco de casulas (ou cascas – feijão verde desidratado), típicas de Trás-os-Montes. Quando experimentar, conto.

Alheira tradicional

 A visita seguinte foi à secção de doçaria, onde parámos na Pousadinha, de Cacilda Correia. E aí, no meios dos bolos e do espaço impecavelmente arranjado (na parede uma foto em que mulheres vestidas de freiras fazem doces no convento de Tentúgal), falámos da forma como Cacilda tem recuperado e reinventado receitas conventuais das antigas freiras de Tentúgal, e de como os clientes chegam aqui à feira, onde ela vem há muitos anos, à procura das especialidades: os pastéis de Tentúgal, claro, mas também as queijadas, as carmelitas ou os lacinhos. Fica aqui a foto das queijadas. E podem ler mais no Fugas do próximo sábado, onde vou contar em pormenor toda a visita à Feira de Santarém, não esquecendo os restaurantes e as demonstrações culinárias.

Queijadas da Pousadinha

 

2 comentários a Alheiras e queijadas (uma visita a Santarém)

  1. Simplesmente fantásticas.
    Quando estou por perto, não resisto! Têm qualquer coisa de especial assim que começamos a saboreá-las.
    E a Pousadinha, nem se fala. Penso que o espaço, o próprio ambiente torna tudo ainda mais especial.

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