Isa

 

Nome   Isa Casimiro

Idade   22 anos

Naturalidade/Residência   Beja / Sin­tra

For­mação   9º ano aux­il­iar de edu­cação

Última profis­são   oper­adora de caixa

Há quanto tempo desem­pre­gado   out­ubro de 2010

Agre­gado famil­iar   6 pes­soas, tem filha recém-nascida, com a qual vive

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “não con­segui tra­balho quando fiquei gravida. foi muito difí­cil . fiz cortes nas despe­sas do dia-a-dia, sobre­tudo em relação a mim. deixei de com­prar muita coisa para mim por causa dela…”

Per­spec­ti­vas de futuro  “espero encon­trar um emprego. já pen­sei emi­grar, para tra­bal­har em qual­quer área. mas a vida é muito com­pli­cada. espero que a situ­ação do pais melhore”

Miguel

 

Nome   Miguel Nunes Gonçalves

Idade   44 anos

Naturalidade/Residência   moçam­bique sintra

For­mação   licen­ci­ado em ciên­cias da comu­ni­cação ramo audiovisuais

Última profis­são   gestor

Há quanto tempo desem­pre­gado   situ­ação de pre­cariedade desde junho de 2011

Agre­gado famil­iar   3 pes­soas. casado, tem um filho depen­dente

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “mudou tudo. desde a esta­bil­i­dade famil­iar, à forma como vais às com­pras. a forma como geres o pouco din­heiro que tens. tal como as tuas emoções e ansiedades, com as pes­soas que te são próx­i­mas. é triste, suposta­mente a “meio” da nossa vida não ter uma vida esta­bi­lizada, estar depen­dente da ajuda e boa von­tade  dos pais, se é que eles podem aju­dar (…) estar licen­ci­ado, com vinte anos de exper­iên­cia na área profis­sional, e sem con­seguir arran­jar emprego em lado nen­hum é muito com­pli­cado. muito difícil ”

Per­spec­ti­vas de futuro  “per­spec­ti­vas de futuro em Por­tu­gal não são nen­hu­mas. já estive fora, não cor­reu bem. quando esgo­tar aqui as pos­si­bil­i­dades todas, obvi­a­mente vou-me emb­ora outra vez. per­pec­ti­vas aqui são zero. o pais está emper­rado. está parado. as empre­sas não investem. é todo o dia uma luta para rece­ber. se não recebes como é que pagas, se não pagas como é que investes, se não investes como é que fazes novos pro­jec­tos?  e o país está fechado nele próprio. não sai disto ”

Mário

 

Nome   Mário Ven­tura

Idade   21 anos

Naturalidade/Residência   Cas­cais / Sin­tra

For­mação   curso de design grá­fico

Última profis­são   restau­rante

Há quanto tempo desem­pre­gado   desde junho de 2011

Agre­gado famil­iar   vive com os pais

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “a monot­o­nia, a revolta, o man­i­festo. prin­ci­pal­mente a revolta e a von­tade de sair de Por­tu­gal. emi­grar. dizem que lá fora está mel­hor. supostamente”

Per­spec­ti­vas de futuro  “sair daqui, ter o meu próprio estu­dio de design, via­jar pelo mundo. tra­bal­har com que gosto. fazer exposiçoes, mostrar o meu tra­balho. tive de pagar a escola. ainda estou a pagar. não tenho tra­balho para pagar. e a minha divida aumenta. a divida do pais aumenta. é ape­nas isso”

Sílvia

 

Nome   Sílvia Nor­berto

Idade   24 anos

Naturalidade/Residência   Bar­carena / São Mar­cos

For­mação   a con­cluir o 12º ano

Última profis­são   empre­gada de papelaria

Há quanto tempo desem­pre­gado   setem­bro de 2011

Agre­gado famil­iar   solteira, vive com os pais

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “não há muitas mudanças. namora há dois anos. gostaria de fazer vida em comum mas com a situ­ação do país e da nossa vida em par­tic­u­lar é prati­ca­mente impos­sível. ponho  tam­bém a hipótese de emi­grar. mas esta crise não é só de Por­tu­gal. a União Europeia esta toda mal. não sei pro­pri­a­mente em que país se poderá fugir à regra”

Per­spec­ti­vas de futuro  “mudou a per­spec­tiva. volta­mos um pouquinho à época dos nos­sos pais em que era mais com­pli­cado obter-se crédito para com­prar casa, e mais com­pli­cada a sobre­vivên­cia como família. isso muda um pouco o nosso animo em relação a um futuro próx­imo. acred­ito que isto vai mel­ho­rar mas não acred­ito que seja tão rápido quanto isso. vamos demorar pelo menos 19 anos até sair da cepa torta”

António

 

Nome   António Luís

Idade   31 anos

Naturalidade/Residência   Lis­boa / Dona Maria (Sin­tra)

For­mação   12º ano

Última profis­são   mil­i­tar

Há quanto tempo desem­pre­gado   junho de 2012

Agre­gado famil­iar   vive com os país

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “mudou sobre­tudo a minha per­spec­tiva. não dei conta de que isto estava tão mau. enquanto tra­bal­hava as coisas cor­riam bem. quando se está desem­pre­gado começam-se a ver as coisas de outra maneira, começa se a cor­rer as insti­tu­ições, segu­rança social, o cen­tro de emprego, começamos cada vez mais a ser trata­dos como um numero e não uma pes­soa. é difícil”

Per­spec­ti­vas de futuro  “não tenho nada a dizer. o país vai mel­ho­rar. penso que vai mel­ho­rar mas não num futuro ime­di­ato. isto é por cic­los. esta­mos numa fase má mas há-de melhorar.

estou a pen­sar sair, talvez Inglaterra, de qual­quer maneira será sem­pre Europa”

Maldini

 

Nome   Mal­dini Ribeiro

Idade   20 anos

Naturalidade/Residência   Cabo Verde / Cacém

For­mação   medi­dor e orça­men­tista

Última profis­são   nunca chegou a exercer

Há quanto tempo desem­pre­gado   desde agosto de 2011

Agre­gado famil­iar   vive soz­inho

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “tudo mudou. aprendi com a vida. tudo mudou. estar desem­pre­gado é muito difí­cil e com­pli­cado. nada de saí­das,. muito menos gas­tos. só fico em casa à procura de tra­balho na net ”

Per­spec­ti­vas de futuro  “encon­trar um tra­balho. na minha área não sei pois está difí­cil na con­strução civil. estou dis­posto a tra­bal­har em qual­quer área. o que apare­cer dará sem­pre jeito. não sei onde isto vai parar”

Mário

 

Nome   Mário Cláu­dio

Idade   50 anos

Naturalidade/Residência   Lis­boa / Rio de Mouro

For­mação   9º ano unifi­cado

Última profis­são   camion­ista durante quase 30 anos

Há quanto tempo desem­pre­gado   “estive de baixa durante quase 4 anos. há dois anos houve um des­ped­i­mento colec­tivo no qual fui incluído“

Agre­gado famil­iar   5 pes­soas

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “tra­bal­hei numa empresa muito boa, a bp por­tu­gal, durante 21 anos como camion­ista, gan­hava mais ou menos, mas desde então para cá tem sido gas­tar as migal­has que tinha con­seguido poupar em que con­segui trabalhar”

Per­spec­ti­vas de futuro  “a minha mul­her está desem­pre­gada como eu, tam­bém. infe­liz­mente a minha baixa é psiquiátrica dev­ido a uma depressão por motivo profis­sional. não sei por quanto tempo vou con­seguir aguen­tar, daqui a pouco está a acabar o din­heiro do sub­sidio de desem­prego, e não sei o que vai ser da minha vida.  e a minha cabeça não está em condições de retomar uma vida nor­mal. isto é como uma bola de neve que vai crescendo”

Maria

 

Nome   Maria Clara Ama­ral

Idade   53 anos

Naturalidade/Residência   Lis­boa / Mem Mar­tins

For­mação   bachare­lato em gestão com­er­cial e marketing

Última profis­são   secretária do pres­i­dente da assem­bleia da repub­lica, dr. Jaime Gama

Há quanto tempo desem­pre­gado   desde há 1 ano

Agre­gado famil­iar   3 pes­soas

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “mudou a rotina. a gestão famil­iar, dado que se recebe muito menos. fiquei com uma vida muito menos con­fortável, tenho de con­tar o din­heiro e fazer muitas con­tas. mudou bastante”

Per­spec­ti­vas de futuro  “não vejo muitas. ou pedem uma secretário e querem pagar “gal­inha gorda por pouco din­heiro” ou nem sequer me respon­dem por causa da minha idade. não con­sigo ver uma luz ao fundo do túnel para o futuro deste país”

Pedro

 

Nome   Pedro Bra­gança

Idade   56 anos

Naturalidade/Residência   Lis­boa / Lis­boa

For­mação   antigo 7º ano dos liceus e fre­quên­cia uni­ver­sitária em gestão de empre­sas

Última profis­são   gestor com­er­cial em leiloeira de automóveis

Há quanto tempo desem­pre­gado   desde novem­bro de 2011

Agre­gado famil­iar   4 pes­soas, casado, tem dois fil­hos

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “tra­balho desde os 18 anos, tenho 36 anos de descon­tos para a segu­rança social. e estar em casa sem fazer nada, a olhar para o com­puta­dor, a ver anún­cios, não é vida para ninguém. isso reflecte-se em tudo, sobre­tudo no bem estar men­tal (…) mudou tudo na minha vida em ter­mos mon­etários. em ter­mos de falta de ocu­pação. este pais está uma des­graça para arran­jar emprego, sobre­tudo para uma pes­soa de 54 anos. no fundo de emprego pedem-me que me can­di­date a empre­gos mas as empre­sas, olham logo para a idade e e sou o primeiro a ser exclu­ido (…) os desem­pre­ga­dos estão a ser chama­dos para obri­ga­to­ri­a­mente fre­quen­tar cur­sos. o estado está a gas­tar din­heiro e recur­sos  nisso quando as pes­soas pre­cisam de opor­tu­nidade de emprego e não de cur­sos. no meu caso tive de fre­quen­tar um curso de inglês, quando sei falar inglês. estive 3 sem­anas das 17h00 às 20h00 a fazer um curso de inglês, aí saí da estatís­tica do fundo de desem­prego, quando ia ao cen­tro de emprego estava dado como estando ocu­pado, era e é uma coisa para inglês ver. estive perto de um mês dado como empre­gado quando isso é pura mentira”

Per­spec­ti­vas de futuro  “vou ter de me aguen­tar assim, até apare­cer alguma coisa que seja com­patível com a minha antiga profis­são o que eu acho muito difí­cil. no meu caso o que penso que vai acon­te­cer é que dada a minha idade, ao fim de três anos de fundo de desem­prego vou equa­cionar a questão da pré-reforma, visto que, a se man­terem as actu­ais condições e regras da segu­rança social, tenho uma penal­iza­ção mais pequena na reforma, isto se a segu­rança social ainda tiver din­heiro na altura”

João

 

 

Nome   João Alpi­arça

Idade   37 anos

Naturalidade/Residência   Lis­boa / Almada

For­mação   engen­heiro civil

Última profis­são   gestor do pro­jecto de alta veloci­dade

Há quanto tempo desem­pre­gado   desde Agosto de 2012

Agre­gado famil­iar   duas pes­soas, mul­her e filha

O que mudou na sua vida desde que ficou desem­pre­gado   “a intenção de ir para o estrangeiro”

Per­spec­ti­vas de futuro  “de tra­bal­har os próx­i­mos 5 a 10 anos, pelo menos, no estrangeiro. Médio Ori­ente ou Inglaterra, serão os sítios mais prováveis”