Adeus desumidificador

Demiti o desumidificador, e não sinto remorso algum. Posso dizer, com legítima malevolência, que já vai tarde a “coisa”, com a qual nunca simpatizei desde o primeiro dia em que se instalou lá em casa. Umbilicalmente ligado à tomada, sorveu-lhe eletricidade em doses galopantes, em troca de um resultado pífio no encargo a que se propunha: ajudar a secar a roupa.

Durante pelo menos dois anos tentei persuadir a minha mulher de que a eficiência do equipamento era pior do que a de qualquer governo. Como o local onde se pendura a roupa fica junto a uma janela, num recorte de uma cozinha razoavelmente ampla, a humidade que a máquina absorvia sob o estendal era prontamente reposta pelo ar adjacente. Na prática, o desumidificar passou este tempo todo tentando secar a atmosfera – um desígnio quixotesco que, naturalmente, não deu certo.

Barafustei o quanto pude contra aquela geringonça – que consumia duas vezes mais eletricidade do que o frigorífico, sem nem um décimo da serventia – e quando vi que a batalha estava mesmo perdida, esfriei a cabeça, mobilizei um neurónio e concluí que a única solução era a que eu sempre evitara: uma máquina de secar.

Num país ensolarado como Portugal, possuir tal item é uma injúria aos princípios do ecologismo aparente – aquele em que a atitude pesa mais do que as consequências. Sob o foco da lógica da sustentabilidade, porém, aquela era de facto a melhor resposta ao problema – tanto do ponto vista económico, como ambiental e social. Consumiria menos energia, dado que a máquina seria ligada algumas vezes por ano, durante um par de horas, contra dias inteiros do maldito desumidificador. Reduziria a fatura elétrica doméstica, embora com consequente dano financeiro para a China, digo, para a EDP. E subsidiaria a paz social familiar em dias de chuva, quando a roupa molhada costuma ser motivo de maus humores titânicos.

É difícil encontrar um alinhamento tão perfeito – uma verdadeira win-win-win solution, como os anglófilos diriam, economizando as dezenas de caracteres que desperdicei nesta frase. Mas, para tal, a secadora tinha de ser a mais “verde” do mercado.

Ao procurá-la, aprendi muito. Por exemplo, que os códigos que designam os modelos – como T86590IH, AAQCF81, EVOC981AT, ou WTW86590EE – não dizem absolutamente nada ao simples mortal. Ou então, que um vendedor pode garantir que uma marca é incomparavelmente melhor do que outra, para ser contradito no dia seguinte por outro funcionário da mesma loja, convicto do oposto. Ou ainda que os indicadores de consumo elétrico apresentam o dispêndio de energia por ciclo completo, e não por quilo de roupa, impedindo comparações imediatas entre máquinas de diferente capacidade e conduzindo o consumidor a decisões erradas – um clássico do capitalismo selvagem.

Este último aspecto é particularmente importante, porque o que eu queria era uma máquina de classe A de eficiência energética, acrescida de tantos “+” quanto houvesse no mercado. Logo constatei, no entanto, que nas secadores o que importa é o “menos” – como “A -40%”, ou “A -50%”.

Foi preciso despertar mais um neurónio e fazer contas para entender a métrica. Eis a conclusão: a classe A significa um consumo aproximado de 0,48 kWh (quilowatts-hora) por quilo de roupa. A máquina mais eficiente era “A-60%” – portanto 0,19 kWh por quilo.

Fiquei-me por uma “A-50%”, que significa 18 cêntimos transferidos para a conta da EDP por cada vez que a roupa fica seca. Pode parecer pouco, mas o mercado não dá ponto sem nó. Uma máquina classe A chega a ser duas vezes mais cara do que uma B. Na ponta do lápis, estimo que seriam precisos 18 anos para amortizar o investimento e começar a poupar de facto. Se for assim, podem comprar uns binóculos para ver a sustentabilidade de longe.

Mas, levando em conta que me livrei do insaciável desumidificador, o prazo afinal cai para uns dois, três anos. Vá lá, não está mal.

18 comentários a Adeus desumidificador

  1. … só para acrescentar esta infornmação importante:

    o ar dentro de nossas casas, qunto mais seco estiver (menor humidade absoluta) mais facilmente varia a temperatura.
    ou seja, menos energia será necessária gastar tanto para aquecer no Inverno como para arrefecer no Verão devido ao facto de a água ter enorme capacidade calorífica.

    para não falar do conforto de um ambiente mais seco.

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    • Gostaria de concordar com vosso comentario e acrescentar que viv e trabalhei pelo mundo e o DESUMIDIFICADOR TEM 2 FUNCOES, 1- diminuir a humidade do ar de uma residencia, principlamente no VERAO e
      2- contribuir para economia de eletricidade para se manter uma residencia confortavel com AR-CONDICIONADO CENTRAL como na FL, RI, OU NY..
      pena que a maioria n se de ao trabalho de fazer outras contas, como protecao termica do telhado, das paredes com isolamento termico…

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  2. Na minha casa,só um dos quartos é humido porque está virado a norte..e nao apanha sol. é realmente frio…
    Indicaram-me o desumificador que seca as paredes por retirar a agua das paredes.
    Ficando assim mais quente e aconchegante.
    Tinham-me indicado o desumficador,mas eu desconhecia que fosse tao efeciente a chupar a agua das superficies..na perfeiçao..e nao tem odor a bolor..
    Impecavel
    5 estrelas!!!!!!

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  3. amigo
    estas a referir a maquina de secar, nâo?
    pois uma nada tem a haver com a outra
    a maquina de secar, seca a roupa e o desumidificador tira a humidade do ar (dentro da casa,certo- este é para esta finalidade
    qual é a duvida : lol

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  4. Realmente usar um desumificador para secar a roupa é de louvar o gasto energetico. Para secar a roupa usa-se o estendal ou as maquinas de secar a roupa. Os desumificadores, como o nome indica, servem para remover a humidsde existente no ar, como em salas, quartos ou divisões onde a humidade é elevada. Desde que tenho um desumificador, deixei de ter de pintar o tecto do meu quarto todos os anos, pra ser sincero, ja la vao 4 anos que nao o pinto.

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    • Nem mais! Eu tenho um desumidificador que foi das melhores oisas que comprei nos últimos tempos. Quando o tempo é de chuva,durante dias a fio,aminha cozinha torna-se iimpraticável, principalmente se tiver roupa estendida. A roupa seca durante a noite! Quanto a gastos energéticos, nem se pode comparar a uma máquina de secar roupa.

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  5. Eu uso o desumidificador para desumidificar o ar… Quando a roupa está estendida nessa divisão, aproveita-se e acaba por secar, obviamente. “Gasta” 350W, enquanto um secador gasta 5x mais (pelo menos). Embora o secador mais eficiente a secar a roupa (e portanto aparente menos consumo), só seca a roupa, e não o resto da divisão (paredes, móveis, televisor, tudo sofre pela humidade…)

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  6. Aqui em casa usa-se um desumificador para secar alguma roupa em SOS (ler dias de chuva). Não existe espaço nem justificação para a aquisição de um secador de roupa, portanto, tendo em conta a manifesta eficácia do desumificador, lá vai andando. Quarto interior com pouco uso, estendal articulado, roupa seca nalgumas horas…

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  7. Os desumidificadores ainda que não seja essa a sua função primordial podem ser utilizados para auxiliar a secar a roupa: esta seca mais rápido quanto menor for a humidade. Por outro lado a secagem da roupa em ambiente interior aumenta o nível de humidade na casa (sobretudo se esta não for arejada, e quem quer poupar energia não areja a casa quando está frio…) daí serem úteis para impedirem o aumento de humidade na casa também.

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  8. Confusão entre desumidificador e máquina de secar roupa. Eu vivo na Alemanha e não tenho máquina de secar roupa, não é necessário. Faz jeito sim, mas não é imprescindível. Em Portugal muito menos! Desumificador é outra coisa e faz muito jeito para combater a humidade. Que confusão de texto pá.

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  9. Boa conclusão com o desumificador, eu tambem uso um motor de carro para me aquecer o quarto, mas nãio estou nada contente, além de não aquecer muito faz muito barulho, enche a casa de fumo e gasta imensa gasolina, um dia destes ainda compro um aquecedor electrico.
    Bem aja.

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  10. Vª Exª vai desculpar-me, mas o equipamento contra o qual, seguramente apenas por pudor jornalístico não proferiu mais injúrias e improprérios, não foi concebido para secar a roupa, mas sim para o tal que, nas condições que mencionou, se me afigura de facto quixotesco. No entanto, se utilizado nas condições adequadas, é preventor de grandes males como a deterioração (por apodrecimento) de valiosos e inestimáveis bens. Para além disso a humidade retirada da atmosfera, por ser praticamente isente de minerais, pode ser aproveitada nos depósitos dos limpa para brisas de automóveis ou dos ferros domésticos de engomar.

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