Há más campanhas que vêm por bem e trazem oportunidades

Os resultados estão aí, mas, antes do imediato da sua análise, devemos, sem receios,  olhar um pouco para trás. Então, lembrando as cores e os sons, as bandeiras e as frases de ordem, o que nos ficou na memória? Afinal o que marcará a história desta campanha? Não tenho receio em afirmar que  esta foi uma das melhores campanhas até hoje, pois, de tão redundante e vazia (com excesso de pessoalismos na forma do enxovalho e falta de conteúdos – a verdadeira razão para a confrontação política), só pode ser uma oportunidade de mudar e melhorar. Parece paradoxal, e até o é de facto. Mas, por vezes, só mesmo quando algo quebra ou entra em ruína é que se pensa em reconstruir e reedificar.

Diz-se que a necessidade faz o engenho. Então, se considerarmos que o país está à beira da ruína cívica, sem falar  na insustentabilidade a todos os outros  níveis, há que refundar esta nossa democracia, tão própria e esvaziada de cidadania informada e activa. Sim, temos sido uns verdadeiros idiotas – isto do ponto de vista etimológico do termo –, mas se calhar nunca nos ensinaram a ser de outro modo. Por isso, só nos resta assumir que é urgente sermos (re)ensinados, que temos de mudar melhorando. Temos de ser mais e melhores cidadãos e, de futuro, o “ninguém nos disse” não pode servir de desculpa, pois sempre pudemos, e continuamos a poder, ir à procurar do “significa isto” ou “é assim que se faz”. Devemos passar a ser cidadão com “C” grande, com C de: Conscientes; Cívicos; Cumpridores; Cooperantes; e Capacitados…

Estando aí a oportunidade há que agarrá-la, sem ficarmos agarrados ao sofá e aos marasmos do dia-a-dia que só nos remetem para o vazio das críticas ocas. Mesmo as calamidades subjectivas, rimam com oportunidades, colectivas e activas!

Micael Sousa, 28 anos, engen­heiro civil e fun­dador do Movi­mento Anti-Corrupção

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