And the daffodils look(ed) lovely today

Não sabemos bem se havia estrelas, nem se a sala estava cheia (ambas são apostas seguras, vá). Há viragens assim, do justo para o solto, do recto para o fluido.
O trabalho já era antecipado – o senhor que fez o vestido que ficou na história (o de Michelle Obama na noite de 2 de Novembro de 2008) – já tinha começado a virar o barco para outras proporções e volumes. E na Primavera, Daffodil Rodriguez ofuscou o que se passava à volta.

Até a top model Karolina Kurkova se esfumou. E ainda bem.

Black Balloon

Pela primeira vez saímos do Lincoln Center – para o cais. Mais precisamente para o Pier 94. Um taxista perguntou a uma colega se ia embarcar. Se dependesse de Sofia Kokosalaki, a grega directora criativa da italiana Diesel Black Gold, provavelmente sim.

O espaço, enorme; a marca, sportswear de alta gama com um toque de design de autor da senhora dos drapeados (ou não fosse ela grega); a assistência, de luxo (Carine Roitfeld e filha it-girl, a rocker da Elle US Kate Lanphear, Gerard “300” Butler). A colecção: uma viagem para fugir à confusão (“Não acha que o mundo está confuso”, perguntou a designer a denotar a evidência quando questionada sobre a temática da roupa para a Primavera, cheia de neoprene, pele e brilho).

Bastidores

Um dos elementos-base da colecção, depois do desfile

Fashion rules

Eles estão por toda a parte: na primeira fila dos desfiles (a Lacoste, por exemplo, tinha um lugarzinho no céu guardado para Scott “The Sartorialist” Schuman e para Garance Doré, provavelmente os mais influentes bloggers de moda do mundo), nos bastidores, mas sobretudo à porta. E se há incontornáveis como os supracitados (que, aliás, desenvolvem trabalho na indústria independentemente dos seus blogues), também há os incompreendidos/incompreensíveis – riscar o que não interessa – (Bryan Boy é um nome que nos surge) e os fenómenos (a jovem Tavi Gavinson e o seu Style Rookie, que agora fundou uma revista online, a Rookie).
E depois há os outros: os anónimos (podem ser estudantes de fotografia, podem ser turistas da moda, podem ser óptimos mas desconhecidos), armados com as suas máquinas ao longo dos degraus do Lincoln Center a fotografar quem lhes interessa. Os looks mais extravagantes são obviamente os mais chamativos para os fotógrafos de street style, os mais caros (há carteiras e sapatos icónicos que funcionam como mel) e há quem se disfarce e mascare para vir à Semana de Moda.
E há quem se disfarce e mascare para vir para… a porta da Semana de Moda. Há meninas casualmente encostadas às colunas do Lincoln Center e que nunca chegam a entrar, há mulheres lânguidas em trajes-choque a exibir-se no centro da praça, há rapazes e homens a caminhar pausadamente para que ninguém possa perder um detalhe da sua imagem naturalmente planeada.
É um fenómeno como outro qualquer ligado à imagem ou à cultura urbana e, numa cidade como Nova Iorque, que parece a ilha Prada, inteiramente expectável.
Mas antes não isto acontecia com tal intensidade.

E o debate está lançado. Será que o fenómeno atingiu o ponto de saturação e estragou a espontaneidade de um acto tão lúdico quanto a criação da nossa imagem? E a globalização com isso?

(hoje é dia de Diesel Black Gold e Narciso Rodriguez; more on this soon)

Times like these

Manhattan, 11 de Setembro

St. Paul’s Cathedral, frente ao Ground Zero

Ground Zero

Midtown

Times Square

Exposição Here is New York, que compila imagens de fotógrafos amadores e fotojornalistas nos dias de Setembro de 2001

Meeting Bowls em Times Square, um projecto do colectivo de arte pública mmmm e que instala até dia 16, locais de encontro e conversa em plena floresta do néon

Barcelona

Hoje, às 19h, num mais uma vez calmo mas intenso Lincoln Center, a marca catalã – com grande fatia de mercado nos EUA – Custo Barcelona pediu alegria com contrastes, estímulos e todas as cores do arco-íris para homem e mulher para a Primavera/Verão 2012.

Agora, em 3D.

É que Custo Dalmau, o criativo por trás da etiqueta, fez dez coordenados em tecido em 3D (vários convidados encavalitavam os seus óculos especiais para conseguir ver os efeitos dos tecidos, mas também nos sapatos e acessórios que os manequins iam trazendo à passerelle) para uma aproximação aos dias contemporâneos – ilustrações geradas em computador, o elemento Hollywoodesco, efeito bem conseguido.

Também na passerelle e muito procurado pela imprensa a seguir ao desfile estava Andrej Pejic, o modelo que fez da sua androginia o seu elemento distintivo.

The show must go on

“Não podemos deixar de ver” o que vimos há dez anos, naquela manhã de sol, igual em quase tudo àquela que hoje brilha em Manhattan, acaba de dizer o mayor Bloomberg no arranque sóbrio das cerimónias de homenagem às vítimas do 11 de Setembro de 2011. É um dia que fez vítimas – podemos acrescentar “os atentados de” à frase, mas é, como disse o Presidente Roosevelt após o ataque a Pearl Harbor, “uma data que viverá na infâmia”.

(Há dez anos, na redacção do Público Online, um ecrã pendente do tecto devolvia-nos um céu azul e uma torre brilhante ferida. O tempo de processar a informação não podia ser perdido. Outra torre. E a informação nunca mais seria a mesma.)

Lá em baixo, pela janela na zona de Midtown, a cidade flui com uma solene normalidade. Os autocarros carregam turistas para as visitas de sightseeing, as corridas matinais de domingo calcam as ruas de forma ritmada. Um pouco mais acima, no lado oeste do Central Park, agitam-se os preparativos para mais um dia de Semana de Moda. Há dez anos, eles foram congelados a partir do momento em que os criadores viam os jornalistas, especialmente os de imagem, fugir porta fora rumo a qualquer coisa que se passava lá fora. As modelos chegavam empoeiradas, atarantadas. E foi o fim da semana, numa terça-feira.

Hoje, the show must go on. A cidade está cheia de eventos, convenções, conferências e até o US Open. As imagens do Lincoln Center, onde decorre a Semana de Moda, nunca serão tão poderosas quanto as das famílias das vítimas que agora desfilam nos ecrãs de televisão, projectadas pela força simbólica dos atentados e pela força e influência da cultura americana. Mas também não poderão ser apagadas.

Crocodile Rock


Nos bastidores, após o desfile, as roupas voltam aos cabides

Ele não se considera uma bandeira da moda portuguesa. Mas, de certa forma, é. Basta ter o estatuto de pioneiro – o primeiro a chegar à direcção criativa de uma casa parisiense – e ter uma carreira de visibilidade internacional ímpar em Portugal para o ser.
Esta manhã (hora de Nova Iorque), na presença da importante editora de moda do International Herald Tribune, Suzy Menkes, da equipa directiva da Elle EUA e de outros nomes incontornáveis dos média demoda mundial (daqueles que fazem e desfazem carreiras), Felipe Oliveira Baptista estreou-se na Semana de Moda de Nova Iorque (SMNY) e mostrou a sua primeira colecção para a Lacoste.
Apostado em conquistar o mercado feminino ao “fazer algo mais amigo do corpo, mais sensual”, como explicou aos jornalistas no fim do desfile, Oliveira Baptista reinterpretou os códigos da roupa desportiva com novos comprimentos do típico pólo Lacoste, vestidos de inspiração râguebi (os favoritos do criador) e muito jersey de seda para a fluidez – em color block ou estampados gráficos inspirados no “L” de “Lacoste”.
Nota para as medidas de segurança reforçadas, ainda que quase invisíveis, na SMNY e para o ambiente profissional e sem atropelos de multidão (salvo nos bastidores após o desfile, um verdadeiro ataque de jornalistas em estado de nervos depois de um bloqueio da marca ao agendamento de conversas com o criador). Atrasos, sim, sitting organizado, mas um ambiente muito mais tranquilo nesta manhã de sábado do que em muitas horas “mortas” de ModaLisboa, por exemplo.