Angola à vista!

A expedição da equipa de No Trilho dos Naturalistas a Angola está a ser preparada com todo o entusiasmo. É já no próximo mês de Maio que a equipa composta pelo naturalista Jorge Paiva, o biólogo António Gouveia, o realizador André Godinho e a restante equipa de produção da Terratreme Filmes parte para Luanda. Serão três semanas de intenso trabalho, em que os elementos da equipa irão seguir os passos dos seus precursores Friedrich Welwitsch, Francisco Ascensão Mendonça e Luis Wittnich Carrisso. Vai ser também a oportunidade de Jorge Paiva revisitar alguns locais e percursos que bem conhece, assim como a terra onde nasceu.

Mapa Angola Gossweiler

 

Darwin Day!

 

darwin_day

A 12 de Fevereiro assinala-se o aniversário do nascimento de Charles Darwin, efeméride que não podíamos deixar passar aqui no blog. Nascido em 1809, em Shrewsbury no Reino Unido, este naturalista inglês notabilizou-se principalmente pela publicação de A Origem das Espécies, em 24 de Novembro de 1859, que se tornou provavelmente no estudo científico mais significativo dos tempos modernos.

Em Portugal, a primeira referência ao trabalho de Darwin aparece pela mão do botânico Júlio Henriques (JH) , apenas seis anos após a sua publicação em Londres. JH analisou o tema na tese de doutoramento intitulada As espécies são mudáveis? (1865), que pode ser consultada aqui.

Nas linhas finais dessa dissertação, refere (manteve-se a ortografia original):

Parece pois que na especie humana tem completa aplicação a theoria de Darwin. A muitos desagradará a ideia de que o homem é um macaco aperfeiçoado. Mas se Deus nos deu a razão, se hoje o progresso e o desenvolvimento intellectual nos colloca tão longe do restante do mundo animal, que importa a origem?

Que receio pode infundir uma theoria, cujas consequencias são em geral a consecução de um maior grau de perfeição?

O mundo marcha: deixemo-nos ser levados neste movimento de progresso.

Ao longo deste extenso trabalho, Júlio Henriques manifesta o seu apoio à teoria de selecção natural, o que parece garantir-lhe as honras de primeiro darwinista português. Podemos apenas imaginar a dimensão da polémica que tal posição marcou no seio da comunidade académica portuguesa.

A isto se junta outro facto digno de nota, o de a primeira tradução conhecida em português da obra de Darwin datar de 1910, o que permite inferir que JH terá lido e explorado aprofundadamente a obra na sua língua original, ou talvez em francês, língua dominante na altura, embora não tenhamos encontrado qualquer informação sobre a existência de traduções nessa língua.

Esta circunstância vem reforçar o carácter empreendedor e visionário de JH, investigador atento ao que se passava dentro e fora de Portugal, e sempre em comunicação com outros investigadores em diferentes países. Isto ainda antes mesmo antes de ter assumido o cargo de Director do Jardim Botânico de Coimbra.

Ao longo do seu percurso profissional e académico nesta cidade, pôs em marcha de forma determinada um ampliado conjunto de reformas baseadas em modelos de instituições botânicas de referência na Europa, que vieram a tornar o Instituto Botânico da Universidade de Coimbra uma das mais proeminentes instituições do género. É a ele que se deve também a renovação no interesse no conhecimento da flora de Portugal, o reflorescimento do próprio Jardim Botânico e a criação da Sociedade Broteriana, a primeira agremiação científica botânica a ser fundada em Portugal. Este grupo, cujo nome é uma clara alusão e homenagem a Avelar Brotero, reunia apaixonados pela botânica provenientes de diversas áreas, designadamente agrónomos, professores de liceu, abades, médicos, antigos alunos da Universidade e cidadãos particulares. A Sociedade prestava-se a colher exemplares botânicos para posterior identificação e conservação em herbário, com vista a reunir materiais indispensáveis para a publicação de uma nova Flora Lusitana.

Júlio Henriques foi também o arquitecto da expedição de 1903 a S. Tomé, onde a equipa de No trilho dos naturalistas vai estar no verão do próximo ano a realizar filmagens para um dos quatro documentários que estão a ser produzidos.

 

Do mangal aos montes-ilha de Moçambique em discussão no Dolce Espaço, em Coimbra

Cerca de duas dezenas de pessoas assistiram à comunicação “Do mangal aos montes-ilha de Moçambique” que teve lugar no Dolce Espaço (Dolce Vita Coimbra), no passado dia 29 de Novembro.

Integrada no programa de conferências, formações e workshops promovidos pelo Centro Comercial Dolce Vita, a iniciativa foi dinamizada por António Gouveia, coordenador do projecto “No Trilho dos Naturalistas”. A abordagem centrou-se nas missões botânicas de exploradores da Universidade de Coimbra a esta antiga colónia portuguesa, com destaque para a que o próprio investigador integrou em conjunto com o naturalista Jorge Paiva, no âmbito da filmagem do documentário sobre Moçambique.

 

Espaço Dolce Conferência

 

Recorde-se que em Outubro passado, e durante cerca de um mês, um grupo composto pelos já referidos cientistas da Universidade de Coimbra, o realizador João Nicolau, e restante equipa de realização e produção da Terratreme Filmes esteve neste país a rodar um dos três documentários (de um conjunto de quatro) a filmar exclusivamente em África.

O itinerário da expedição, a grande diversidade biológica e de ecossistemas e, com especial ênfase, as plantas existentes em cada um deles, foram, entre outras, algumas das diversas questões em análise.

De salientar que a sessão foi também a primeira ocasião em que os seguidores do projecto tiveram oportunidade de ver algumas das centenas de fotografias registadas no decorrer da expedição e que muito em breve estarão online.

O médico Manuel Rodrigues de Carvalho e a sua contribuição para o conhecimento da flora moçambicana

 

Manuel Rodrigues de Carvalho

No âmbito do Congresso Internacional Saber Tropical em Moçambique: História, Memória e Ciência, que decorreu em Lisboa entre os dias entre os dias 24 e 26 de Outubro, o projecto fez-se representar através da comunicação “O médico Manuel Rodrigues de Carvalho: contribuição para o conhecimento da flora de Moçambique no século XIX”.

No dia 30 de junho de 1886 desembarcava em Quilimane o medico Manuel Rodrigues de Carvalho, para dar princípio a uma viagem na Zambezia inferior, ordenada pelo governador geral da província de Moçambique. Durante essa viagem o sr. R. de Carvalho, já pratico em trabalhos botanicos, não descurou o estudo da vegetação d’esta região e enviou para o herbario de Coimbra exemplares bem preparados de mais 379 especies.”

Júlio Henriques dava assim início à publicação do catálogo das plantas colhidas por Manuel Rodrigues Pereira de Carvalho [1848-1909], em Moçambique, dando conta de aspectos que foram discutidos no âmbito da apresentação. Médico de profissão, foi nomeado para o quadro de saúde de Moçambique, onde se instalou em 1875. Tanto nesse país como na Guiné, onde viveu alguns anos, fez diversas colecções botânicas, incluindo várias espécies novas, que enviou para a Universidade de Coimbra. O material recolhido foi mais tarde publicado no Boletim da Sociedade Broteriana e, em parte, na Flora of Tropical Africa.

As suas herborizações concentraram-se na ilha de Moçambique e no litoral continental – Mossuril e Cabaceira -, na ilha de Chiloane, na Gorongosa, margens do Zambeze nas imediações de vila de Sena, Morrumbala, margens do Chire e ilha do Ibo. Um dos seus objectivos foi também o de estudar as condições para o estabelecimento de uma colónia europeia de cultura da quina.

Das suas explorações botânicas em Moçambique resultou uma colecção com uma grande amplitude de zona geográfica explorada, de norte e centro de Moçambique, sem se restringir à costa; que compreende uma grande variedade de espécies e que deu a conhecer vários taxa novos para a ciência. Este espólio constitui uma grande contribuição para o Herbário da Universidade de Coimbra – num total cerca de 400 exemplares de plantas, algumas nunca antes observadas naquelas regiões; O material colhido por M. R. Carvalho enriqueceu também as colecções de Kew e de Berlim, dois dos mais importantes herbários europeus.

Contribuição para o conhecimento da flora de Moçambique no século XIX

Esta semana, o projecto também estará representado no Congresso Internacional “Saber Tropical em Moçambique: História, Memória e Ciência”, que vai decorrer em Lisboa entre os dias 24 e 26 de Outubro.
A comunicação “O médico Manuel Rodrigues de Carvalho: contribuição para o conhecimento da flora de Moçambique no século XIX” irá dar contado trabalho daquele que foi considerado por António Gomes e Sousa (que recolheu dados sobre todos os exploradores e naturalistas em Moçambique) “o mais notável colector português da flora moçambicana”.

 

 

Deixa falar…

Chegámos a Mecufi, Cabo Delgado, ainda com a maré a descer (filmagens em zonas ciclicamente inundadas obrigam a uma atenção especial ao movimento das águas do Índico).

Depois de descer através do mangal mais interior, embarcámos para ver as intrincadas galerias com Rhizophora mucronata e Bruguiera gymnorrhiza – fotografias detalhadas destas duas espécies em breve.

 

E deixámos Jorge Paiva falar sobre tudo isso, como bem diz o nome do barco.

Primeiro dia de rodagem em Moçambique – mangal

Como a zona de Pemba em que estamos ainda dispõe de cobertura de rede, aqui fica mais uma fotografia do primeiro dia de rodagem.

 

 Na fotografia, da esquerda para direita: Gabriel Mondlane, som, Mário Castanheira, imagem, João Nicolau, realizador, Jorge Paiva, naturalista e Bruno Lourenço, assistente de realização. Fora de campo: Marta Lança, produção e António Gouveia, coordenador do projecto e fotógrafo de serviço.

 

Até breve!

 

Sonneratia alba

E agora sim, a primeira fotografia oficial de Moçambique!

 

Na praia de Murrebue, Jorge Paiva contorna uma árvore do mangal, a Sonneratia alba.

Como está maré vaza, conseguem ver-se perfeitamente os pneumatóforos, raízes que ao contrário da maioria crescem em direcção à superfície (geotropismo negativo) para captar oxigénio, um elemento muito escasso em solos alagados.

Em breve mostraremos outras adaptações fascinantes das plantas de mangal!

Pemba – dia 5

O acesso à internet não tem sido fácil em Moçambique, mas em compensação, depois de sair de Maputo para norte chegámos à Baía de Pemba.

Hoje foi oficialmente o primeiro dia de rodagem. E começámos da melhor forma: na maré baixa do oceano Índico, na Praia do Murrebue. Entre as mulheres que colhiam bivalves e artrópodes na areia, filmámos a Sonneratia alba, uma árvore de mangal perfeitamente adaptada à zona intertidal, em particular os pneumatóforos.

Para mais informações podem consultar este link.
Ainda não é hoje que há fotografias mas esperemos que muito em breve!