A exploração botânica de S. Tomé e Príncipe

Moller

Foi a 23 de Maio de 1885 que Adolpho Frederico Möller desembarcou em S. Tomé e Príncipe com a finalidade de aí realizar uma exploração científica. Júlio Henriques realçava desta forma a importância do trabalho do seu trabalho para o conhecimento científico desta então, pouco estudada, província portuguesa:

Das explorações feitas [às ex-colónias portuguesas], a do Sr. Moller é a mais digna de menção. Teve ella por campo a ilha de S. Thomé.

Nos curtos quatro meses que aí permaneceu (23 de Maio a 25 de Setembro 1885), diz-nos Júlio Henriques que “o Sr. Moller percorreu a área que vai da cidade até ao Pico de S. Thomé e do rio Contador ao rio Manuel Jorge” explorando desde “florestas ainda quasi virgens” a “quasi toda a parte da ilha mais habitada e cultivada”.

O relatório do material recolhido pelo inspector do Jardim Botânico de Coimbra impressiona pela quantidade e diversidade, pois embora Adolpho  Möller tenha sido incumbido da “exploração botânica da ilha [recolhendo ca. 430 taxa de plantas vasculares, 96 fungos, 78 líquenes, etc.]” aproveitou “todo o tempo disponível para a exploração zoológica e geológica [249 taxa, entre insectos, aves, répteis e batráquios, etc.]”, reporta Júlio Henriques. Juntando a este material o envio, para a Universidade de Coimbra, de uma colecção de plantas vivas, madeiras, rochas e objectos antropológicos, é fácil perceber a dimensão do saber, curiosidade e incansável empenho de Adolpho Möller como naturalista.

De facto, só em resultado do estudo dos espécimes colhidos por Möller em S. Tomé, foram descritas 116 novos taxa de plantas e fungos. Destes, 14 espécies foram-lhe dedicadas com o restritivo específico molleri, bem como um género novo de fungos Ascomicetes, o Molleriella.

As novidades por entre o material zoológico foram menos e também mais problemáticas. Entre elas contam-se as rãs da discórdia, episódio que envolveu o célebre Barbosa du Bocage, o herpetologista russo Bedriaga e Francisco Newton.

Fora dos circuitos académicos, no entanto, Möller foi um escritor assíduo com colunas regulares em vários jornais de agricultura e horticultura, onde divulgou os seus múltiplos interesses, desde a flora tropical à botânica aplicada, das plantas medicinais à antropologia, e fomentou a necessidade do conhecimento natural das colónias.

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